Santos: quando Bruno Henrique aterrorizou o Real Madrid

A contratação de Bruno Henrique fecha o ataque do Santos. Aqui no blog, quando elogiei o elenco do time, disse que um meia e um atacante seriam ótimos complementos. E Bruno Henrique, dentro do que o mercado oferecia, é um bom nome. Temo chamar alguém de "reforço" antes de entrar em campo, mas fico tentado neste caso. Ponto para Dorival e sua indicação.


Mas o que o jogador ex-Goiás pode oferecer? Ele chega ao Santos para jogar aberto, pela ponta direita, formando o trio de ataque com Ricardo Oliveira e... Quem sai para sua entrada? Vitor Bueno, o melhor jogador de linha do Santos no ano antes de se contundir no final do Brasileiro? Ou Copete, alguém que de fato chegou para ser reserva e acabou titular após a saída de Gabigol? Eu colocaria Copete no banco. E Dorival?


Como não sou eu quem resolve isso, passo para a parte que fez você, leitor, entrar aqui: o título do texto. É um caça-clique? Talvez. Nesse caso, eu prefiro chamar de memória. Porque ele é uma lembrança a uma matéria aqui da ESPN, escrita por Vladimir Bianchini, sobre o dia em que Bruno Henrique aterrorizou o Real Madrid: a vitória do Wolfsburg, por 2 a 0, na partida de ida das quartas de final da Liga dos Campeões de 2015/2016, em abril do ano passado.


Foi a estreia de Bruno como titular do time alemão, após entrar em apenas cinco jogos saindo do banco, e a melhor atuação pelo clube em toda sua passagem de um ano pela Europa - foram 17 jogos e nenhum gol (um dado preocupante, mas focaremos aqui nas coisas boas). O técnico Dieter Hecking o escalou de surpresa (contou isso na coletiva após a vitória) e, de fato, conseguiu assustar o Real. Mas como?


Marcelo sofreu com a presença de Bruno em seu setor. O segundo gol do Wolfsburg é o melhor exemplo. Bruno fica do lado oposto da jogada, sozinho, já que a defesa do Real se concentra onde está a bola. 


Reprodução/Uefa
Reprodução/Uefa

Primeiro, veja como o Wolfsburg conduz a jogada pela esquerda de seu ataque, enquanto Bruno está lá no topo, à direita, livre pedindo a bola


Quando o jogo é invertido, ele está livre para pensar e escolher a melhor jogada - que é o toque para Arnold bater Navas.


Reprodução/Uefa
Reprodução/Uefa

Quando a bola chega, Bruno está livre, com tempo para pensar, com a zaga correndo em sua direção, mas sem tempo hábil para impedir o passe


Dorival tem como grande inspiração Guardiola, e vem tentando fazer o Santos ter essa jogada: a inversão. Em 2015 fez muito isso, mas com lances aéreos. Por que essa jogada de Bruno tem a cara de Guardiola? O trecho a seguir, do livro Guardiola Confidencial, explica: "Em todos os esportes de equipe, o segredo é sobrecarregar um dos lados do campo para confundir o posicionamento do adversário. Concentrar o jogo de um lado para que o rival deixe o outro livre. Por isso, precisamos passar a bola, sim, mas com intenção, com propósito. Passá-la para sobrecarregar um dos lados, para atrair e resolver no canto oposto".


Naquele dia em que o Wolfsburg bateu facilmente o futuro campeão da Europa, Bruno aterrorizou os espanhóis fazendo exatamente isso. Resolveu no canto oposto. Jogando pela direita no Santos pode ser muito útil em outra jogada constante do clube: a descida de Victor Ferraz até a linha de fundo, triangulando com um meia e o ponta.


Ele também mostrou contra o Real a qualidade para o contrário da jogada do gol: também soube ser quem invertia a bola.


Reprodução/Uefa
Reprodução/Uefa

A defesa do Real tenta voltar para segurar o contra-ataque e se foca em Bruno, com a bola, no lado esquerdo


Em um lance desperdiçado por Schürrle, Bruno Henrique é quem tem a visão de inverter o jogo para o lado oposto, enxergando o companheiro livre:


Reprodução/Uefa
Reprodução/Uefa

Bruno é inteligente para inverter o jogo e pegar Schürrle (sim, ele, o do 7 a 1) livre para bater para o gol, com a zaga novamente mal posicionada


Jogadas que Dorival, sem dúvida, tem conhecimento de que foram realizadas pelo brasileiro. E que, por isso, insistiu em sua contratação. Dará certo? Só no final de 2017 saberemos. Mas a ideia está aí. E ele a realizou contra o campeão do mundo. Por que não realizar na Copa Libertadores?