Fábio Costa estava devendo. E pagou nos dando o dia mais feliz de nossas vidas

Se você clicar aqui, cairá no Youtube, no vídeo com o segundo bloco do Globo Esporte do dia 16 de dezembro de 2002. O dia em que todo santista acordou se sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Sabendo que, há menos de 24 horas, havia vivido o dia mais feliz de sua vida.


Mais: se você clicar ali em cima, cairá no exato momento de uma matéria sobre Fábio Costa em que o goleiro grita para a torcida a torcida "Tava devendo. Tá pago!".


Fábio Costa, de fato, estava devendo. Havia chegado dois anos antes ao Santos prometendo títulos, e não havia os conquistado até aquela tarde de domingo. A tarde de domingo em que pagou. E muito bem pago. Com juros. Correção monetária. Correção emocional. Correção de um amor que corria risco de sumir.


Mentira, o amor nunca se esvai.


Gazeta Press
Gazeta Press

Fábio Costa levanta o troféu que mais mereceu na vida. E poucos jogadores mereceram um troféu mais do que o goleiro, este


Já falei aqui que, naquele 15 de dezembro de 2002, aos 12 anos de vida, eu ouvi uma explosão enquanto meu coração doía a ponto de eu ter certeza que teria um ataque cardíaco a qualquer segundo. Em seguida eu corri para a sala, vi meu pai em pé, dei o maior abraço que já demos em vida e fui feliz. Fui feliz pois éramos campeões, enfim. Lembro como se fosse ontem. Como se fosse hoje, exatos 15 anos depois. 15 anos... E o amor por esse dia segue vivíssimo.


Leia também: A explosão. O abraço em meu pai. Enfim, Santos campeão


Porque Éder Luiz, na Rádio Transamérica, narrou aquele jogo explicando todo esse sentimento: "Um pai santista olhando para o filho. Hoje ele não terá que entender o que é ter amor por essa camisa branca. É fácil de entender."


Mas eu divago. Voltemos, pois este texto é sobre Fábio Costa. O principal responsável por tudo isso.


Eu sei que Robinho pedalou. Sofreu o pênalti. Abriu o placar. Dominou a bola no meio. Fintou um, dois. Tocou para o meio. Gol. Fintou Kléber. Bola em Léo. 3 a 2. Que coisa maravilhosa. O que jogou o #7 naquele dia.


Mas Fábio Costa foi o melhor em campo. Se, 15 anos depois, você chora ao lembrar daquela tarde, é porque o goleiro do Santos era Fábio Costa.


Com um minuto, ele pegou cabeçada de Guilherme à queima roupa. 



Aos 45 min., pegou aos pés de Kléber.



No mesmo minuto, mais uma cabeçada de Guilherme.



Aos 13 minutos do segundo tempo, ele fez a maior defesa da história da humanidade. Nada de Grohe e Gordon Banks. Não chegam aos pés.



No escanteio, como disse José Silvério: "Uma defesa monumental".



São cinco lances que provam, e não há argumentos contra, que Fábio Costa, entre 16h e 18h do dia 15 de dezembro de 2002, teve a maior atuação da história da profissão conhecida como "goleiro". Ninguém, antes, foi tanto. Ninguém, depois, será tanto.


Hoje, ao rever os lances daquele jogo, ao chorar com os três gols, ao se emocionar com os gritos da torcida ao fundo, ao sentir o coração quente com Léo dizendo que só queria "chorar e morrer", guarde um pouco de seus sentimentos para Fábio Costa.


Ele estava devendo. Mas foi pago. E como foi...


Vila Belmiro, 100 Anos, 100 Jogos


Os últimos exemplares estão aí TE ESPERANDO como presente de Natal.


Divulgação
Divulgação

Esse jogo não está no livro. Mas os contra São Paulo, nas quartas, e Grêmio, nas semis, estão. E como estão...