O conformismo pode destruir o Santos aos poucos

Há 10 anos, o Santos entrou em campo para o jogo mais importante do século até então, tirando a final do Brasileiro-2002, com a seguinte escalação: Douglas; Wendel, Adaílton, Domingos e Kléber (Adriano); Roberto Brum, Pará, Bida e Molina (Quiñonez), Cuevas (Michael) e Kléber Pereira.


Essa escalação bateu o Inter por 1 a 0, com um gol em que a bola sairia pela lateral, mas por desvio entrou no gol, e contando com um gol anulado erroneamente do Inter. Esse time merecia ter sido rebaixado e, graças a esta vitória, não foi. Milagres existem.


Mas milagres dificilmente ocorrem duas vezes quando o erro é exatamente igual. E esse é meu medo em relação ao Santos-2018: que o conformismo de "é isso que tem" perpetue a atual escalação de Jair Ventura em campo e que, no final do ano, o desespero seja tão grande, ou maior, do que o vivido 10 anos atrás.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Alison, Matheus Jesus, Renato, Vecchio. Ou Brum, Pará, Bida e Quiñonez?


O torcedor de futebol tem uma resposta padrão para algumas perguntas que envolvem críticas ao seu elenco, ou a certos jogadores. Por exemplo: "Vecchio é ruim". O torcedor padrão responde: "Vai lá e faz melhor". Eu não vou lá  fazer melhor. Não é minha profissão.


Ou responde: "É o que tem para hoje". Não podemos aceitar isso. Qualquer diretoria de um time de Série A tem a obrigação de ir ao mercado, ir à base, se virar, basicamente, e achar algo melhor para hoje.


Pode-se ouvir também "David Braz, para o nível do Brasil, está ótimo". Não está. O nível do Brasil é baixo? Sem dúvidas. Mas o Grêmio ganhou a Libertadores com Geromel, que deveria estar na seleção. O Corinthians ganhou o Brasileiro com Balbuena, infinitamente melhor que Braz.


O Santos ganhou exatamente zero títulos relevantes desde a chegada do zagueiro. Não está ótimo. Precisa ser buscada a melhora. Constantemente. Até que venham títulos. Não do Paulista, não eliminações na Copa do Brasil, ou um vice entregando para um rival a taça, ou G4 no Brasileiro sem convencer uma santa alma que tenha assistido a um jogo que seja do Santos no ano.


Jair Ventura deu outro exemplo após a derrota para o Palmeiras. Disse que "utilizou seis jogadores da base" na partida. Se você pegar a escalação, é verdade: Daniel Guedes, Caju, Alison, Bambu, Arthur Gomes e Rodrygo.


Mas, agora, analise quando esses jogadores saíram da base: Alison, Caju e Guedes. Há 4 anos. Ele não está revelando ninguém. Ele não está dando experiência a esses caras. São jogadores formados e muito acostumados com o jogo de primeiro nível. Ele não deu tempo a nenhum garoto da base  que voltou para o time B na última quinta, por exemplo. Que julgamento eles tiveram? Que experiência eles pegaram? O números mentem, se você sabe manipulá-los. E Jair sabe. Triste.


Esse conformismo, essas 'desculpinhas' para cada contestação feita ao fraco time que o Santos tem pode destruí-lo aos poucos. E o pior, quem corrobora com isso é o torcedor, que é quem mais (ou o único) que realmente sofre com a má fase de um clube de futebol.


Não está bom para o nível do Brasil. Não importa se é "o melhor que tem para hoje". Que busque, ainda para hoje, a evolução. Que se ultrapasse o "nível do Brasil". Que não se aceite jogadores que ficam em campo por levantar o braço puxando a torcida, por piadas em coletiva, por serem simpáticos, mas que, com a bola, nada produzem. Chega de conformismo.


O conformismo vem destruindo o Santos: e eu garanto, você não quer isso.


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