Saber que 'só a base salva' é entender a essência de ser santista

Nenhum time no mundo tem a mesma relação entre categorias de base e torcida como o Santos. É praticamente uma simbiose: o torcedor santista não consegue viver sem os meninos que surgem do sub-20 para baixo, os meninos não conseguem se firmar no time principal se a torcida não comprar a ideia.


É um sentimento que causa até mesmo inveja em torcedores dos outros times. Não no sentido de pecado, mas não é fácil entender o conceito, saber que a relação vai muito além de estar na arquibancada e o garoto no gramado: as almas de ambos funcionam juntas, conduzindo a bola pelo campo como um só.


Ninguém entende isso. Por vezes, nem mesmo o santista. Não é questão de ser "menos torcedor" - é mais uma questão de chegar a um patamar de entendimento que te transofrma, oficialmente, em um fanático pelo Santos. O rito de passagem é esse: quando você entende que a frase "só a base salva" não é apenas um mantra, uma esperança, e sim a realidade, se torna oficial. 


Você passou a entender a essência de se torcer para o Santos Futebol Clube.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

É ver os meninos no alambrado e se sentir um deles. Não ver grades, não ver separação. É estar junto


Quando Rodrygo é o melhor jogador do time em um primeiro tempo de clássico, estreando como titular aos 17 anos, é resultado desse sentimento.


Quando Diogo Vitor, apesar de todas as polêmicas, todos os abandonos de clube, todas as brigas, empata um clássico em que o time não merecia vencer, mas acabaria vencendo se não fosse o apito (e isso é tudo que falarei da arbitragem, pois de estresse já basta a vida), tira a camisa, pula no alambrado, traz a torcida num misto de gritos e socos no ar, é resultado desse sentimento.


Quando Arthur Gomes, Daniel Guedes, Cittadini e Alison completam (claro, com Vanderlei) a lista de melhores em campo, é porque eles não jogam sozinhos. Eles jogam com o coração do torcedor.


Não é coincidência. No Santos, só a base salva.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Entendimento mútuo


Após Santos 1 x 1 Corinthians, o que menos o santista queria saber era o resultado. É a primeira fase do inútil Paulista: ninguém liga. Mesmo assim, ao tentar discutir futebol de forma séria, nos deparamos por aí com piadas como "os caras estão comemorando um empate", ou a incrível cegueira de não captar que o gol que Vanderlei sofreu foi com desvio, o que 'mata' qualquer goleiro, e o que Cássio sofreu foi com falha (bem) feia.


O santista estava feliz não pelo resultado. Estava feliz porque, mais uma vez, a base salvou. 


É um sentimento que ninguém mais tem além do santista. E deve ser duro ser incapaz de entender isso.


"Como assim eles estão sorrindo, vibrando? Eles não venceram!". No Santos, há situações maiores que a vitória.


É ver Pelé sendo gênio. Coutinho tabelando com 15 anos. Pepe sendo o maior artilheiro humano da história. Juari dançando na bandeira. Diego deitando e rolando. Robinho pedalando. Neymar dançando. Rodrygo surgindo e Diogo Vitor vibrando.


É diferente e os outros jamais vão entender. E essa é nossa vitória constante.