Pacaembu, 15 de março de 2009: Neymar. Pacaembu, 15 de março de 2018: Rodrygo

Quando estou na Vila Belmiro, sento sempre no mesmo lugar. Não na mesma cadeira, mas na mesma faixa: setor 'retão', portão 1, de frente para a divisória do lado oposto entre 'sócio-cachorro' e cativas. Sempre estou ali. Sempre.


Desde 2010, na verdade. Quando percebi que, ao sentar ali, por 45 minutos eu teria, todo jogo, a oportunidade de ver o mesmo moleque, na mesma ponta esquerda, a poucos metros de mim, partindo para cima dos adversários e fazendo milagre atrás de milagre.


Eu vi Neymar surgir, crescer e virar um dos melhores do mundo ali, sentado ou em pé no mesmo lugar. E faria tudo de novo.


E acho, só acho, que talvez eu já esteja fazendo.


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Aproveite cada momento


Encontrei um amigo na catraca do portão principal do Pacaembu e ele escolheu ficar na arquibancada verde, do lado esquerdo em que o Santos atacou no segundo tempo, ali, perto de nós.


O lugar em que tantas vezes vi Neymar. O lugar em que vi Rodrygo.


Quantas vezes você não viu um moleque de menos de 20 anos receber a bola após o meio campo, pela esquerda, só ele e a bola, duas pernas trançando e confundindo os zagueiros, duas fintas, o menino do nada na cara do goleiro, uma piscada e a bola no gol?


A comemoração na bandeira de escanteio, com uma dancinha, um beijo no escudo, um soco no ar, uma vibração infantil, honesta, sincera?


Pois quando Rodrygo pegou a bola e fez tudo isso que Neymar fazia, eu me senti jovem de novo. Não tanto quanto eles, mas lá em 2009, quando eu tinha 19 anos e vi, do mesmo Pacaembu, Neymar, no mesmo dia 15 de março, marcar seu primeiro gol pelo Santos.


Agora, aos 28 anos, pude ver Rodrygo marcar seu primeiro gol em Libertadores. No mesmo dia 15 de março. No mesmo Pacaembu. Santos 3, Nacional 1. 


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Mas aproveite mesmo


Eu não acredito em deus, não acredito em milagres, não acredito em nada, basicamente.


Fora do futebol.


No futebol, eu acredito em tudo isso. Em mística. Em coincidências. Em destino. Em raios.


Se você não viveu Neymar (e, meu deus, como eu vivi...), algo me diz que você tem uma nova oportunidade agora. Se você viveu Neymar (e, meu deus, como eu vivi...), aproveite para buscar, no fundo do coração, todos aqueles sentimentos que estão guardados desde 2013.


Viva Rodrygo. Viva, Rodrygo! A base. Só a base.