Ser reativo o tempo todo é retrógrado e cansa, Jair Ventura

Estava eu numa manhã de 2017 assistindo ao Redação SporTV quando Arthur Dapieve, jornalista assumidamente botafoguense, contou uma pequena história sobre como um amigo dele, então, se posicionada nas arquibancadas do estádio Nilton Santos na mesma linha da defesa do Botafogo, e não no ataque, para apreciar o que, de fato, era o ponto positivo do time treinado por... Jair Ventura.


É claro que na hora você acha engraçado, curioso, esse tipo de coisa. Mas, depois, você começa a raciocinar: bom, é uma opção do técnico? Ele prefere jogar assim? Ele não tem um elenco que o permita mudar? 


Com Jair Ventura no Santos, as respostas para as perguntas que surgiram naquela ocasião começaram a aparecer. E são, na minha visão, as piores possíveis.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jair me parece preso em uma ideia. E não entendeu que, no Santos, essa ideia é rechaçada


Um dos meus times preferidos em todos os tempos é o Corinthians de 2012. O time era extremamente consciente do que fazia e ganhava, na impressão que temos em nossas memórias, sempre pelo placar mínimo - mas, mais importante, ganhava assim porque sabia que era o que precisava. Dominava o adversário, e o santista lembra bem das semifinais da Libertadoes de 2012, e fazia um golzinho só para garantir os três pontos. Sem sofrer, não levava pressão, não passava sufoco. Nada.


Mas, mesmo admirando esse estilo de jogo, entendo que nem todos os elencos são capazes de jogar com tamanha consciência. E que, ao tentar reproduzir uma mistura de Botafogo e Corinthians, em conceitos, no Santos, Jair Ventura se arriscou.


Se arriscou porque o elenco do Santos não tem a menor condição de ser tão focado quanto aquele Corinthians, se arriscou porque não há um santista nesse planeta chamado Terra que aceite jogar tão retrancado e dependente de contra-ataques como o Botafogo.


Jair aposta em um sistema que os santistas só aceitariam se fosse garantia de resultado, e não só não garante nada como enlouquece a todos com um futebol fraco dentro ou fora de tal sistema.


O time cansa o torcedor, o analista, qualquer um que tenha paciência de assistir aos jogos do Santos até o fim, uma tarefa árdua em 2018 - e que pode ser "recompensada" com um gol no último lance do rival, como foi contra o Bahia. Como apoiar algo que te cansa mentalmente?


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jair me parece sem criatividade e passivo. Combinação péssima


Ser "reativo", como ele prega, como analistas pregam, é chato demais, ainda mais quando se tem por gosto próprio o ataque, caso do Santos. Se fosse certeza de vitórias, tudo bem, aceitaríamos. Mas passa longe disso. Tudo de positivo vem com sofrimento, tudo de negativo vem com exposição clara - tudo dá pinta de que vai dar errado e, óbvio, dá mesmo.


Para piorar, é retrógrado ao extremo. Quando assistimos técnicos inovando na Europa, na América do Sul, ou ali na vizinha Paraná, Osasco, enfim, e temos que aguentar um time que joga 90 minutos lá atrás e que em toda recuperação de bola joga de qualqiuer jeito para algum ponta correr que nem doido, é estressante.


Onde estão as ideias? Onde estão as variações? Onde estão as triangulações? Onde está o meio de campo ofensivo? Onde estão as substituições que mudam jogos? Onde está qualquer ideia de futebol que não tenha surgido antes de 1970?


Viver de contra-ataque, sendo que todos são feitos da mesma maneira, é receita para, num time cujo ponto forte é o ataque, problemas. Jair parece preso em discursos modernos e ações antiquadas. Combinação desastrosa.


Escrevo isso, aliás, antes do jogo com o Estudiantes. Que pode terminar me vitória, é claro. Mas que tem como tendêmncia triunfo na base do sacrifício, como foi na Argentina, como foi contra o Nacional, como foi contra o Palmeiras. E isso, meus caros, cansa.