O vazio: 90 minutos observando o meio campo do Santos

Vocês já viram a vitória do Santos sobre o Estudiantes, 2 a 0, em jogo no qual os argentinos foram horríveis e os santistas controlaram com tranquilidade. Ótimo. Também viram análises sobre o duelo, com sites por aí dando nota 8 para Copete (!) e o parceiro Caio, do blog ao lado, falando mais da partida e do elenco por completo.


Então, como gosto aqui neste espaço, me sobraram duas opções: falar do além-jogo, do lado mais história da partida, como fiz com Rodrygo após a vitória sobre o Nacional, ou uma análise mais focada em algum ponto importante da atuação. 


Rodrygo foi eleito o melhor em campo, Gabigol fez seu primeiro gol em Libertadores, mas não acho que valham novas palavras. São ótimos e os adoro. Agora, a segunda opção é tentadora. Primeiro, porque não vi uma atuação coletiva satisfatória, nem Jair Ventura acertando em suas escolhas e ideias e, principalmente, não vi o meio campo funcionar.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jean Mota foi mal. Bem mal


Eu sei muito bem que depois de grandes vitórias é legal ter um bom material elogioso para se ler. É divertido e agrada ao ego. Mas, das arquibancadas da Vila Belmiro, fiz algo que os caríssimos do Bola Presa, melhor site de basquete do país, defendem: em vez de acompanhar a bola toda jogada, acompanhe um jogador em específico, veja sua movimentação, tente entender sua leitura de jogo.


Fiz isso. Foquei em Jean Mota. O jogo todo. Todo o tempo. 


E foi desesperador.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jean leu de forma equivocada o jogo constantemente


Resolvi fazer isso quando, após dois ataques pela esquerda, observei que Dodô sempre tinha a opção de passsar para Rodrygo, na ponta, mas que havia um buraco no centro - com Dodô, inclusive, driblando mais de uma vez para o meio para tentar criar o ataque.


Isso não pode acontecer, não se pode ter um buraco, um vazio, no principal setor do campo. E isso tem vários culpados: o técnico e o meia principal escalado, para começo de listagem


Se sabemos que Jair só joga de modo, me perdoe a péssima palavra novamente, REATIVO, é de se esperar, e torcer, que o meia tenha a leitura de jogo o suficiente para entender o que precisa fazer para cobrir as falhas do treinador. E Jean não teve isso contra o Estudiantes.


Nesse caso da triangulação pela esquerda, Jean sempre recuava até a linha do meio campo, forçando Dodõ ou a tentar o drible, ou arriscar passar para um Rodrygo com marcador extra, chuveirar para um ataque baixo... Ou recuar para Jean e este, constantemente, trocar passes com os zagueiros. Algo, claro, inútil.


Léo Cittadini leu esta situação e ajudou Dodô após tentativas frustradas do lateral com Jean. O camisa 3, então, tentou jogar pela direita. E, Daniel Guedes, me perdoe, eu sei que não é fácil ter que jogar ao lado de um meia fraco e um ponta, Copete, que não poderia estar em campo.


Jean não entrou na área o jogo todo, mostrando o quão jogou recuado. Alison, por exemplo, apareceu mais na meia-lua que o meia. Jean chegou ao pontoi de pedir bola cercado por QUATRO rivais do Estudiantes. O Santos sofreu uma falta no lance e Jean reclamou fortemente com Gabriel, que não passou. Mas como passar para alguém tão cercado? Leitura de jogo...


Jean Mota segue o caminho de Vecchio: já que não tem outro, joga. Mas, daqui a pouco, a torcida pede tanto sua saída que Jair Ventura, outro de leitura lenta de situações do futebol, tira. E nem relaciona mais, como vem sendo com o argentino.


O problema? Bem, se isso ocorrer, aparentemente o próximo na fila é Vitor Bueno. E ele entrou com tanta preguiça em campo...