Santos e Jair caem na pegadinha dos 'melhores momentos'

Uma das maiores 'pegadinhas' do futebol é a manipulação da torcida por meio dos melhores momentos de um jogo. Se alguém erra tudo que tenta - passes, chutes, desarmes, marcação, posicionamento - mas, no lance do gol, é responsável por um passe, por mais trivial que seja, aparece como decisivo. A torcida, o fã de futebol médio, basicamente assiste apenas aos principais lances de um jogo, seja no Youtube, seja no canal e programa de sua preferência. E é enganado.


É uma pena que as coisas ainda funcionem assim mesmo em tempos de informações tão rápidas e disponíveis em tantos meios. Mas pena mesmo, o que dói mesmo, é que pessoas de fato responsáveis por fatores importantes do futebol, como técnicos, caiam nessa eterna 'pegadinha'.


Como Jair Ventura caiu novamente.


Gazeta Press
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A cara de todos os santistas


O torcedor médio, tal como o comentarista médio, não assiste à maioria dos jogos. O que ele faz? Assiste aos melhores momentos. E o que aparecem lá? Apenas lances realmente importantes de ataque. Um erro crasso e que dura desde que o mundo é mundo.


Quando esse torcedor assistiu aos melhores momentos de Santos 2 x 0 Estudiantes, viu Copete acertar um lançamento para Gabriel, no primeiro gol, e Jean Mota acertar um cruzamento para Lucas Veríssimo, no segundo.


Lances comuns e que qualquer jogador profissional tem a obrigação de ser capaz de fazer. Mas que, quando colocados como importantes, como os principais de uma partida, ganham dimensões absurdas e enganam o torcedor.


E enganam, aparentemente, também o técnico Jair Ventura.


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Talento


Se Jair tivesse consciência das limitações de seu elenco, saberia que Copete e Jean Mota foram donos de atuações fraquíssimas contra o Estudiantes. Mas não: ele insistiu com ambos no onze inicial, já que parte da torcida elogiou a dupla após assistir apenas aos lances dos gols.


Com dois a menos em campo, o Santos não teve nem chances de compensar a apatia com que entrou em campo contra o Nacional no Uruguai com, quem sabe, algum brilhareco. Eram duas opções a menos...


Rodrygo tentou sozinho, os outros oito jogadores foram mal, Copete e Jean Mota nem vistos em campo foram e o Santos saiu derrotado justamente.


Com o meio de campo vazio e a ponta direita idem, Jair Ventura insistiu na tal da 'reatividade' e conseguiu a proeza de não chutar ao gol. 


Para piorar, gostou tanto da volta de Copete que ressuscitou outro nome que há tempos deveria ter sido esquecido: Vecchio. Nada adiantou, é claro. 


O Santos fez talvez sua pior atuação em 2018 e nem os melhores momentos vão conseguir disfarçar isso. O horror.