O Santos vive numa bolha futebolística - e isso é seu fardo e sua glória

As redes sociais nos forçaram a viver em bolhas. Elas nos obrigam a ver publicações apenas de amigos, famiiliares e fontes as quais sempre clicamos, não abrindo espaço para novidades que nos ajudariam a pensar além do óbvio, além do que convivemos constantemente. Elas reforçam nosso modo de pensar e impedem uma expansão de ideias.


Pense nisso observando o Santos.


O Santos é de uma cidade pequena, a mídia cobre pouquíssimo, seus jogos não são transmitidos, quase ninguém assiste suas partidas com regularidade.


O torcedor acaba se fechando em textos e péginas de jornalistas que só falam bem do clube - para não perder fonte dentro dele - para que possam ao menos ver algo bom sobre seu time às vezes. O torcedor se fecha numa bolha de notícias de quem escreve que está tudo sempre indo bem, bolha que só é furada quando informam ao torcedor que alguém fora dela falou bem do time - ele se abre a isso, já que não quer ser incomodado com críticas. O problema? Provavelmente essa nova fonte viu melhores momentos, um jogo, um lance apenas. e está baseando tudo nessa pequeníssima amostra.


Ser santista é estar sempre numa bolha - ela é quentinha, aconchegante. É uma glória. E também um fardo.


Gazeta Press
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Por que só o santista exigia uma chance para Vanderlei na seleção? Porque só a bolha santista o acompanha


É um glória pois, mesmo após goleada de 5 a 1, o santista dificilmente vai achar alguém criticando duramente o técnico, o elenco, a diretoria. Ele vai entrar nos blogs de sempre, ver os autores de sempre, aqueles que protegem o clube com unhas e dentes para que a bolha não estoure. "Acidente de percurso", "acaso". Nem um 5 a 1 vai fazê-los exigir mudanças - de pessoas, de pensamentos.


O Santos fica protegido, tal como todos que estão nele. Incriticáveis. Errado? Nada, só quem critica. Ninguém constesta, ninguém exige. Está tudo bem, sempre.


É uma glória também pois o time pode jogar sempre de maneira ofensiva, o tal do 'DNA' que tantos afirmam existir. O clube tem essa permissão eterna para não precisar copiar outros times, não precisar abusar de táticas que outros fazem funconar. Vamos para a frente, sempre.


E é um fardo. Porque isso impede evolução. Isso impede leituras verdadeiras. Isso impede, falando o português claro, SEMANCOL.


O Santos se torna incriticável. Porque, se ninguém fala dele, como se OUSA falar mal? "Como você vai invadir minha bolha e apontar erros? EU estou nessa bolha. VOCÊ, não. Você não tem esse direito."


O Santos fica preso em verdades mentirosas. O Santos tem sua verdade única: a base que sempre dá frutos e é tratada com carinho, o futebol ofensivo, o que desafia gigantes.


Ninguém pode falar que muitos meninos são alvo da torcida, sempre os mais vaiados. São alvo dos técnicos, sempre os tirados da escalação quando a bomba estoura. Que o futebol ofensivo é uma lenda, que deu lguar à REATIVIDADE. Aos 4-3-3 eterno que vive de contra-ataques esporádicos.


E se a bolha não estourar nunca, como tudo isso mudará?