Braz leva chapéu, larga Bruno Silva, Jair se perde e Santos cai para Cruzeiro

Muitos dizem que David Braz compensa falhas em jogos decisivos com bons momentos em partidas importantes. Eu, honestamente, não lembro disso. Não lembro não: eu pesquiso e não encontro isso. A lista de "compensação", é claro. Porque a lista de falhas determinantes para derrotas do Santos aumentou neste domingo, quando Braz conseguiu falhar duas vezes no gol da vitória do Cruzeiro, 1 a 0, no Pacaembu.


Parece perseguição, ainda mais quando a análise de futebol no Brasil é, de fato, fraca. No momento em que Bruno Silva tocou de cabeça, livre, para o gol santista, Dodô era o mais próximo do volante cruzeirense. E, automaticamente, o Twitter foi inundado com críticas ao lateral. Ele errou, sim, mas todos ignoraram o começo da jogada.


E, no começo, é Braz quem estava em Bruno Silva.


Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Vê-se que Braz está atrás de outro santista, como Bruno Silva está atrás também de um companheiro - ou seja, se marcam


Antes de comentar a imagem acima, aliás, é importante lembrar que Vanderlei é quem colocou a bola para escanteio com um milagre, em toque por cima, saindo nos pés do atacante do Cruzeiro. Esse lance só começou porque Braz, no meio campo, deu um bote seco e levou chapéu de Raniel, quebrando os sistema defensivo santista. Assim, Vanderlei até faz milagre, mas dois em menos de 10 segundos não dá.


Pois bem: vemos que David Braz está em Bruno Silva no instante em que a bola é cobrada pelo Cruzeiro. O problema é o instante seguinte, com a bola no ar:


Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Dois seguem um = outro livre


Braz opta por seguir o outro cara, marcado por Dodô. O lateral toma um susto quando vê que o mesmo que estava marcando, agora está cercado por Braz. Até ele tomar o susto e se tocar que a melhor ideia é voltar para pegar quem sobrou, já se foi o lance. Bruno Silva sozinho, gol do Cruzeiro.


O que me dá conforto em citar o lance como mais falha do Braz do que de Dodô, que também errou, é que Braz, na hroa em que a bola entra, abaixa e colocaas mãos na cabeça, em típico sinal de quem sabe que tem culpa no cartório. Mas é isso: apenas um sinal. Neste caso não cravo, comento impressão. Acima, são certezas.


Ele errou. De forma decisiva. De novo. Mais uma vez. 


Acho interessante, também, que Luiz Felipe tem aparecido bastante quando filmam Jair Ventura no banco. É simbólico: quem deveria ser titular só aparece quando filmam um técnico desesperado após mais um jogo cheio de erros próprios. Curioso. os senhores interpretem como quiserem...


Gazeta Press
Gazeta Press

Não dá mais


Falando nele, será impressionante se a diretoria santista assinar o atestado de amadora caso não demita Jair Ventura entre a noite deste domingo e a tarde de segunda-feira.


Será assumir que não tem ideias, que não acompanha futebol sul-americano, que não faz ideia de que é possível você, ao menos, diminuir a incapacidade de um elenco fraco colocando um técnico que tenha ideias.


É só ser capaz de ter ideias.


Porque Jair não é. Caiu, novamente, no mesmo de sempre: quando desesperado, tirou Pituca, o mais jovem, e manteve Jean Mota e Renato, os piores. Enfiou atacante atrás de atacante, quando se sabe desde 1920 que futebol não é quantidade de atacantes, e sim ser capaz de criar para eles.


Tentou ser reativo contra o time do técnico que mais joga na defesa no país, Mano Menezes, e ficou mais uma vez sem chances perigosas, quiçá gols.


Jair Ventura perdeu doze jogos pelo Santos. E ganhou doze. Ao empatar cinco, tem a incrível campanha de 47,12% nos pontos. Patético.


E se diz que é famoso por sua defesa, já que joga nos contra-ataques, os números também o desmentem: são 31 gols sofridos no ano, a quarta pior defesa do ano entre os times da Série A. Só é melhor que os potentes Vasco, Vitória e Ceará. O Cruzeiro? Bem, este só sofreu 15.


O Santos de Jair e Braz é ridículo. E precisa acabar. Fora Jair, fora Braz. Lamento usar palavras como essa, "fora", mas ou é isso, ou o Santos que fica fora. Da Série A 2019.