Rodrygo nos ilude. Nos dá esperança. Nos faz ter fé

Acho que minha palavra favorita em espanhol é ilusión. Porque, além de foneticamente bela, ela confunde a nós, que falamos português. Enfim, divago.


O ponto é que, em português, nós usamos ilusão como algo irreal, algo que nos engana, algo que nos confunde. Em espanhol, ilusión é o sonho, a esperança.


E, por isso, Rodrygo nos ilusiona. Porque o menino de 17 anos nos dá fé de que o Santos vai melhorar. De que o futuro pode ser brilhante. Mas também nos ilusiona. Nos engana, faz com que pensemos que está tudo bem. O 5 a 2 sobre o Vitória trouxe tudo isso à mente.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Vamos aproveitar enquanto pudermos


Rodrygo fez gol como centroavante. Fez gol de craque. Fez gol de inteligência. Deu assistência de meia cerebral.


Aos 17 anos, Rodrygo é o jogador mais inteligente em campo, mesmo sendo o mais novo. Claro, não é possível cobrar que ele seja assim todo jogo - ele, repito, nasceu no século XXI, não completou nem a maioridade.


E, mesmo assim, tem leitura de jogo de alguém que tem 17 anos... De carreira. Os lances são tão plásticos quanto geniais. Precisos. Poder de tomada de decisão em muito menos do que segundos. 


E assim Rodrygo nos ilude. Em português e em espanhol. Claro, em português é mais bonito. Como a própria língua. Vocês já pararam para pensar em como o português flui, com suas variações, seus sotaques... Enfim, eu divago. Iludido.


Reprodução
Reprodução

Ilusão


Mas não se iluda com a goleada


Primeiro, o Vitória é um time muito, muito fraco. Que vai brigar contra o rebaixamento até o final, como faz todo ano. Depois, não é como se o Santos tivesse apresentado algum padrão de qualidade no triunfo em Vila Belmiro (completamente vazia para ver Rodrygo. Eu sei, com Neymar também demorou para embalar o público. Enfim...).


Atuações individuais de qualidade, como a de Rodrygo e a de Pituca, salvaram o time. Mas isso não vai acontecer sempre. É preciso padrão. E, mais uma vez, isso não ocorreu. A goleada parece mais acaso do que justiça. Uma pena, mas precisamos lembrar disso para que não fiquemos iludidos.


Jair segue errando, como ao colocar Copete em um jogo em que a presença do colombiano era completamente inútil - bem, todo jogo assim o é. Erra ao manter Renato titular, ao manter o 4-3-3 travado....


E, claro, ao escalar David Braz com Luiz Felipe e Gustavo Henrique no banco. A tabela que Braz fez com Neílton no primeiro gol do Vitória foi digna de Pelé e Coutinho - para sorte do Santos, Pelé e Coutinho jogavam no mesmo time. Para sorte de Neílton, e de todos os torcedores do Vitória, Braz não joga no time baiano.


Todo jogo ele comete erros. Quando o resto funciona, não é decisivo, como neste domingo. Quando o resto vai mal, ele garante derrotas. Braz não pode jogar no Santos. Não é perseguição - é constatação. É análise. É estudo. É simples assim.