Destruindo um mito: a Libertadores "de Neymar e Ganso"

Não é como se eu estivesse com saudade do Santos em meio à Copa do Mundo - longe disso, é ótimo ter uma pausa -, mas é bom escrever quando as ideias aparecem. E essa, no caso, vem de anos. Sete, na verdade - mas ficou mais óbvio que deveria ir para o papel, ou para a tela do computador, assim que muita gente começou a comparar Mbappé e Neymar na Copa.


Explico: quando o francês destruiu a Argentina nas oitavas de final, pipocaram comentários de que ele, aos 19 anos, esteva jogando muito mais que Neymar, ou sendo mais maduro do que o atacante brasileiro, que tem 26 anos.


"Quando Neymar for assim como o Mbappé já é tão novo, aí sim eu paro de criticá-lo", escreveram/falaram vários.


O problema é: aos 19 anos, Neymar ganhou uma Libertadores sozinho.


Gazeta Press
Gazeta Press

A dupla que, na Libertadores, foi de um homem só


Claro, a colocação foi contestada. E, obviamente, por quem não assiste ao Santos: "como assim, sozinho? E o Ganso?", perguntaram.


Bom, foi sem o Ganso mesmo. E aí, dias depois do último 22 de junho, aniversário da vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol, o dia do tri, resolvi "esclarecer" essa questão - pois não só os desavisados babando para o Mbappé, como muitos santistas e, claro, os que nunca assistem ao Santos, parecem não saber que a frase "a Libertadores de Neymar e Ganso" é uma inverdade.


Comecemos pela primeira fase: Ganso começou lesionado, havia operado o joelho ainda em 2010. Neymar voltou correndo do Sul-Americano sub-20, quando fez dois gols no último jogo (6 a 0 no Uruguai), dando o título para o Brasil e a vaga nas Olimpíadas - este duelo decisivo foi no dia 12 de fevereiro e, no dia 15, ele já estava em campo na Venezuela, contra o Táchira.


Na segunda rodada, contra o Cerro Porteño na Vila, ainda nada de Ganso. Ele voltou só no terceiro duelo, contra o Colo-Colo. Deu assistência para o gol de Neymar, aliás, na derrota por 3 a 2.


No segundo turno, Ganso jogou os três jogos, mas foi substituído em dois. Deu uma assistência no duelo com o Cerro no Paraguai, quando Danilo fez um golaço heróico e Maikon Liete anotou o segundo (passe do 10). Não foi o melhor em campo, mas foi bem. 


Neymar, por sua vez, fez um gol de gênio na vitória por 3 a 2 sobre o Colo-Colo, mas acabou expulso por uma vergonha do árbitro, ao comemorar gol com máscara (dele mesmo). Fez gol contra o Táchira no jogo da classificação, também.


Mas a história começa, mesmo, no mata-mata. Contra o América, gol de Ganso, passe de Ney. Ambos jogam a volta, 0 a 0. E Ganso se lesiona de novo. Fica fora dos dois jogos contra o Once Caldas, quando Neymar dá o passe para o gol de Alan Patrick na ida, faz o gol da volta.


Nas semifinais, Neymar de novo, jogadaça, cruzamento preciso, 1 a 0 no Cerro. Na volta? Falta em Neymar com 3 minutos, gol de Zé Love apóso cruzamento. Segundo gol? Neymar fez o zagueiro marcar contra. O terceiro? Dele.


Final: gol dele, vocês sabem. No gol de Danilo? Neymar começa a jogada que passa por Elano e, depois, pelo autor do maior gol do século santista. 


Sim, Neymar participou de TODOS OS GOLS DO SANTOS no mata-mata do título da Libertadores. E Ganso não participou de cinco dos oito jogos eliminatórios.


Gazeta Press
Gazeta Press

Esses sim, heróis da conquista


Por isso, é comum entre os santistas a eleição de ADRIANO PAGODE, sim, o volante, como o maior companheiro de Neymar na conquista da América. Adriano jogou o que nunca havia jogado antes e o que nunca jogou depois naquele título. Essa, inclusive, é minha opinião: Adriano foi o segundo melhor do Santos no tri.


Outros tem Arouca como o principal companheiro de Neymar. Durval também é citado, e até Rafael, o goleiro que fechou o gol na fase decisiva.


Zé Love tem seu respeito, por ter sido o companheiro de ataque - o que, na verdade, só aumenta a glória de Neymar, que jogou com um atacante abaixo do nível aceitável para um título deste tamanho... E mesmo assim conquistou a taça.


Pará, Danilo (que jogou até de meia, substituindo Ganso, no jogo 1 da final, por exemplo), Léo... Outros tantos ainda vêm à frente de Ganso.


A Libertadores foi de Neymar. E de Adriano, Arouca, Durval... Mas não de Ganso. Que caia o mito de vez.