Santos acerta com Cuca e não quebra o ciclo da mesmice. O jeito é torcer

As palavras abaixo são, deixando claro, minha postura em relação a contratação de um técnico brasileiro. Análises sobre trabalhos anteriores de Cuca? Todo mundo fará por aí. Torcer para dar certo? É claro. Aqui, tento ir pelo diferente. E, com o anúncio do novo técnico, opto por mostrar por qual motivo sou contra - mesmo que Cuca esteja longe de ser ruim.


Gazeta Press
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Cuca treinou muito mal o pior time da história do Santos, em 2008. Mas não é mais o mesmo. Ou esperamos que não seja


Antes disso, vocês lerão por aí lembranças de 2008. Eu mesmo, por exemplo, já falei sobre. É que, no caso específico de Cuca, ele treinou aquele time, o pior da história do Santos.


E foi o pior técnico do pior time: treinou por 14 jogos daquele Brasileiro. Foram três vitórias, quatro empates e sete derrotas. Demorou nove jogos para vencer um sequer. Mas isso foi há 10 anos - ele não é o mesmo, o elenco não é o mesmo. 


Outro motivo que me preocupa é que o termo 'Cucabol' foi cunhado porque o técnico, no Palmeiras, vivia de cruzamentos. E, uma partida após o Santos dar 69 cruzamentos para a área, errando o alvo em 56 deles, isso tem potencial de calamidade.


Além disso, ele é famoso por colocar o ataque baseado na ajuda de um pivô - e todos sabemos que o Santos não tem um atacante sequer que faça isso no momento. Mas, seguimos. Que dê tudo certo, é claro. Apenas apontamentos.


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O Santos corre contra o tempo


Meu ponto neste texto é que eu sempre torci, e digo isso não pelo Santos, mas sim por todo o futebol brasileiro, que se quebrasse o ciclo. Quando se contrata Cuca, que treinava um rival até outro dia, ou quando o Palmeiras contrata Scolari, querendo reviver a década de 1990, isso só mostra que os dirigentes brasileiros vivem de saudosismo. Vivem de memórias e não se atualizam.


Nada surpreendente, é claro. Mas eu fiquei triste com a recente contratação do Palmeiras. Não pelos resultados do time verde - mas, sim, porque é mais um grande clube brasileiro que perdeu a chance de quebrar o ciclo da obviedade.


Agora, foi o Santos.


Eu sonho com ousadia, com contratação de técnicos de fora, como os times europeus fazem, aliás - é só vermos que argentinos brilham por lá e, até onde sei, argentino não é europeu, não é mesmo?


Eu sonho com um futebol brasileiro que evolua, que enxergue além do próprio umbigo. Que entenda que "opções" não são as de sempre. "Ou era Dorival, ou Zé Ricardo, ou Luxemburgo", me dizem. Não. Tem muitos e mujitos caras por aí, sonhando em vir mostrar seu valor no Brasil. Caras de talento, caras que conquistam ótimos resultados com equipes sul-americanas na Libertadores. Caras para os quais o Brasil fecha os olhos.


Menos o São Paulo, aliás, e isso deve ser aplaudido. Apostou em Bauza, apostou em Osório e, mesmo com ambos abandonando o barco, apostou em Aguirre. E  vai ganhando, e ganhando, e ganhando... O São Paulo, lembram? Aquele que em 2017 quase foi rebaixado e que todos apostavam no desastre em 2018...


Seguirei com meu sonho da quebra do ciclo. O sonho de sair da mesmice. O sonho de que alguém abra os olhos um dia e veja: "Rapaz, nenhum brasileiro estuda. É sempre mais do mesmo. O cara que estão me oferecendo treinou outros 18 times da Série A e foi demitido de todos. Vou mudar essa história."


Sonhar é permitido e seguirei. Cansado, aliás. Mas é a vida que escolhi quando resolvi gostar de futebol e estudá-lo, não é mesmo? 


Bom, que Cuca tire David Braz do time. E pare de usar 4-2-4. Terá meu apoio imediato se fizer isso. De resto, analisamos mais para a frente...