Santos: há lado certo na questão do impeachment presidencial

A notícia mais recente é a de que a tentativa de impeachmente do presidente José Carlos Peres teria sido barrada na Justiça, sob alegação de que a votação no Conselho Deliberativo não atingiu o número de votos necessários. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas, antes da decisão final - seja no tribunal, seja na votação entre os sócios marcada para o próximo sábado (29) -, acho importante deixar uma posição aqui neste espaço.


Nos comentários do blog, muita gente pede para que eu fale do extra-campo do Santos. Nunca quis: meu posicionamento sempre foi falar do que acontece no gramado, o que no caso do Santos 2018 significa muita coisa. E também isso me ajuda a nunca pensarem que eu tenho lado na questão da diretoria.


Porém, como sou sócio e tenho direito a votar caso seja feita a assembleia, acho que chegou a hora de deixar claro: não votei em Peres nas eleições de 2017, muito menos em Modesto Roma. Mas, entre um lado e outro, na atual conjuntura, só há um certo.


Vote não. O impeachmente é inaceitável.


Gazeta Press
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Presidente ideal? Não. Mas, qual é no futebol brasileiro?


Estava no Pacaembu em Santos x Independiente e presenciei uma cena prosaica, bizarra: um torcedor estava completamente maluco próximo ao final do jogo, nas cadeiras laranjas, gritando em direção ao camarote da diretoria que "queria o sangue" de Peres.


O presidente e todo seu departamento responsável errou, de fato, na questão Sánchez. Mas aquele grito do torcedor, para mim, foi simbólico: vai além de qualquer erro. é questão de caráter.


Peres emorou para contratar, insistiu num dos piores técnicos da história do Santos... Tudo que todos os outros presidentes fizeram. Inclusive todos os que estão a favor do impeachment: é só lembrarmos do caso Giovanni-2005, quando o ídolo não pôde atuar na Libertadores por erro de inscrição na mesma Conmebol.


Ou lembrarmos que, com Modesto Roma, nenhum título relevante foi conquistado - digo pois dentro da campanha pelo impeachmente há propagandas a favor em redes sociais citando que Peres tem zero título. Sim, em nove meses, normal. E Modesto,  que viveu de inúteis Paulistas? E que pediu a transferência da final da Copa do Brasil de 2015, quando a tendência era o Santos amassar o Palmeiras, dando tempo para o rival virar o jogo?


Gazeta Press
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A cara de quem sabe que está sendo traído


Não há acusações de roubo por parte de Peres, muito menos de fraude eleitoral. Os pedidos protocolados no Conselho são vagos e forçados. Puramente política por parte de quem perdeu o poder e quer recuperá-lo.


Lembremos que quem entra em caso de queda de Peres são os mesmos que fraudaram eleição, que colocaram chineses na fila dos postos eleitorais, que aumentaram a dívida do clube, que fizeram acordos bizarros com empresários, que perderam parte da base, que perderam títulos, que nada conquistaram, que se tornaram dependentes de jogadores que nada traziam ao clube, que não conseguiram patrocínio fixo e viveram de "mendigagem" durante o mandato, alugando a camisa por anos para empresas, por apenas um jogo.


O ponto aqui, de qualquer forma, não é defender Peres. É mostrar minha visão. Quem se interessar pelo tema - e, como torcedor, creio ser uma obrigação - pode pesquisar de forma mais profunda.


Meu ponto é: na minha visão, o voto no próximo sábado, caso seja necessário fazê-lo, é NÃO.


Gazeta Press
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Decepção


Longe de mim querer comparar com política nacional - mas esse impeachment é golpe, sim.


Aqui não tem "pronto, falei" só quando interessa. Jornalismo é feito por informação para qualquer lado, análise de forma séria. Podemos conversar nos  comentários, é claro: o espaço sempre está aberto.