Destruindo um mito II: a falha na eliminação do Santos para o Cruzeiro em 2014

Em julho, comecei uma série aqui sobre "mitos" que o futebol proporciona - claro, envolvendo o Santos. Falei naquela ocasião sobre como, em minha visão, chamar a Libertadores de 2011 "de Neymar e Ganso". É muito mais do Adriano Pagode do que do então camisa 10. 


Agora, numa semana pacífica pré-clássico, não encontrei temas atuais para escrever e resolvi "destruir mais um mito" aqui. Desta vez, porém, numa situação não tão feliz quanto a anterior: falarei sobre a semifinal da Copa do Brasil de 2014 e a falha decisiva na queda para o Cruzeiro.


Getty Images
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Talvez a primeira queda daquela que se transformaria na "Geração do Quase"


Pois bem: o Santos havia perdido o jogo de ida por 1 a 0, com um gol inacreditavelmente perdido por Robinho na pequena área, mas sabe-se lá como vencia o jogo de volta, na Vila Belmiro, por 3 a 1.


Digo "sabe-se lá como" porque o Santos foi apenas o 9° colocado no Brasileiro daquele ano, a 16 pontos da zona da Libertadores e a 27 do campeão... Que foi o próprio Cruzeiro! Além disso, o time teve naquela noite JORGE EDUARDO, MENA, CICINHO e RILDO. Meu deus.


Mena, aliás, que foi substituído por Caju ainda no primeiro tempo por falhar na marcação. Sim, por Caju, que nunca marcou ninguém.


E Jorge Eduardo, você sabe onde está? Em teoria, passou por ABC e Ferroviária neste ano.


Olha só, lembrei de mais um nome: BRUNO UVINI. E é a partir deste que começamos a história.


Reprodução/TV Globo
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O momento que precede o esporro


35 minutos do segundo tempo, 3 a 1, o milagre vai acontecendo. O Cruzeiro, desesperado, dá um bico para a frente. Uvini marca o rival, que está de costas para tentar um desvio de cabeça.


Salvo engano era Marcelo Moreno na bola. E o boliviano não consegue o toque. O problema é: Uvini erra, toca para trás... E ali nascia uma lenda.


Reprodução/TV Globo
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Todo o estádio, então pulsante, se tornou silencioso


Uvini toca para trás, sim. Um erro crasso, também. Bem, era o Bruno Univi, não é como se pudéssemos esperar muito mais em termos de qualidade. 


Mas ainda era possível salvar o lance. Edu Dracena, o experiente zagueiro, era o primeiro homem na sobra. Sozinho, só tinha que dominar o sair jogando. Ou dar um bico e pronto.


Mas não. Por algum motivo, ele pedia impedimento (!). E enquanto baixava a mão, deixou a bola passar e William o Bigode, correu por trás, livre. E só parou no gol.


Reprodução/TV Globo
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Aquele momento que Neto profetizou: "NÃO VAI DAR"


O giro que Dracena dá, o susto que Dracena toma quando vê que perdeu a bola... São coisas que você vê anos depois e ainda não se conforma. Como que foi possível um erro desse? O Cruzeiro ainda empataria em 3 a 3 com o Santos totalmente cansado e aberto, tentando o quarto gol. 


Já ouvi e li muitas e muitas vezes o mito: Bruno Uvini fez com que o Santos caísse da Copa do Brasil em 2014. Quando ficou muito perto de uma virada mágica.


Para mim, é mito. A verdade, em minha visão, é: o erro de Dracena é extremamente pior, infantil. 


O que acham? Me contem. Já se foram quatro anos e ainda não engulo nem um, nem outro...