A Batalha de Rosario prova que o Santos é a fênix do futebol mundial

Eu sou um 'Menino da Fila'. Nasci em 1990 e, por 12 anos, não comemorei nada significante. 


Ou assim me ensinaram a pensar.


Reprodução/ESPN Brasil
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A imagem símbolo: celebrando no centro do campo para não morrer


Porque eu lembro vivamente de deitar no sofá da sala dos meus pais na noite de 6 de fevereiro de 1997, segurando uma bandeira do Santos que tenho até hoje, e sofrer até o gol de Juari no 2 a 2 contra o Flamengo no Maracanã, comemorando o título do Rio-SP.


Tal como lembro de não assistir Rosario Central 0 x 0 Santos na noite de 21 de outubro de 1998, jogo que só passou para o Brasil na ESPN, canal que só chegaria em minha casa dois anos depois. Mas lembro de acordar desesperado para saber quanto tinha sido, se enfim éramos campeões de um torneio internacional.


Éramos. E no último domingo a chamada Batalha de Rosário completou 20 anos.


E graças a esse menosprezo da mídia e rivais pela Copa Conmebol, talvez a nova geração de santistas nunca saiba o que ela significou.


E talvez nunca saibamos explicar que aqueles 16 caras, sendo 3 goleiros, lutaram pela taça e por suas vidas até o fim.


Sim, pelas vidas. Eles poderiam ter morrido em Rosário. Não é exagero, é fato. Mas foram maiores que tudo dentro da loucura e doença argentinas. E, por isso, jamais podemos diminuir aquela conquista.


Reprodução/ESPN Brasil
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No meio, para que seguissem vivos


Do que lembro daquela conquista? Lembro de ouvir no rádio-relógio do meu pai os pênaltis das oitavas de final, contra o Once Caldas. Lembro da surpresa de enfiar 5 a 1 no Sampaio Corrêa lá no Maranhão, nas semis. E lembro do gol de Claudiomiro, de cabeça, na ida da final na Vila Belmiro.


E lembro de tratar o torneio como grande. Não era, mas e daí? Era título. Era disso que vivíamos em época sem Neymares, Robinhos, Pelés e cia. Saboreávamos mais cada vitória, cada triunfo em clássico, cada conquista.


Queríamos mais e mais calar o resto, calar os rivais, calar todos que achavam que o Santos estava acabando.


A Copa Conmebol foi um indício do que o Santos é, de fato: uma fênix. Podem tentar matar, o Santos vai voltar.


Em 1998, há exatos 20 anos, mais uma prova disso surgia. O Rosario e sua torcida (43 mil no Gigante de Arroyito) tentaram matar Zetti; Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazilio, Elder. Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel). E Emerson Leão, o técnico. 


Não conseguiram. Porque, naquela noite, eles estavam representando o Santos. E, meus caros, esse não morre nunca. Mesmo em tempos de cinzas, ressurge. E faz história por meio de milagres.