Santos: amigo meu viajou até BH para ver Copete titular. Coitado

Lembro especificamente da partida: Bragantino 2 x 1 Santos, 19 de março de 2011. O Santos havia perdido para o Colo Colo na Libertadores, no Chile, três dias antes, mas eu, um jovem de 21 anos, e outro amigo da mesma idade, achamos boa ideia pegar o carro e ir até Bragança Paulista. Saudades ser jovem e ter paciência para essas coisas.


O Santos jogou mal, muito mal, mas todo mundo perto de mim na arquibancada vibrava loucamente com qualquer coisa que Elano e Ganso, especificamente, faziam. Eles não só jogaram nada aquele dia, como vinham de atuações muito ruins. Acontece, claro, mas por que aqueles caras celebravam tantos os meias, eu me questionava.


A resposta veio anos depois: eu, que todo jogo estava na Vila Belmiro ou no Pacaembu, já não tinha o fator novidade, ou o fator raridade, vivos em mim. Eu via aqueles caras toda semana. Os moradores de Bragança, não. Eles só queriam curtir o momento. Eu não entendi na hora. Eu entendi depois. E ficou tudo bem.


Lembro disso porque, nesta noite de domingo, horas após América-MG 2 x 1 Santos, mandei uma mensagem para um amigo meu: "Bicho."


Foi isso. Uma palavra. Voltaram sete mensagens tristes de desabafo. Eu sabia que uma simples palavra desataria esse sentimento nele, de raiva, de tristeza. Eu só não sabia de uma coisa.


Ele estava no Independência.


- Você recebe o novo texto em primeira mão me seguindo no Twitter e/ou no Instagram, ou curtindo a página do Show da Vila, meu podcast


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Não é motivo de todo meu riso. Mas de lágrimas...


Esse meu amigo mora em Minas Gerais e, claro, tem poucas chances de ver o Santos. Claro, o recebo em minha casa feliz quando ele pode vir para São Paulo. A final da Libertadores? Ele estava ao meu lado. Mas jogo em Minas é o negócio dele. É quando ele pode sair da cidade dele, no interior, ir até a capital, ver o time dele de perto e voltar para casa no mesmo dia.


Então ele seria como aqueles caras de Bragança: viu o Santos e, independentemente do resultado, estaria feliz. 


Mas não. Há um limite.


Há Copete.


Não Ganso e Elano.


Copete.


E aí, meu amigo, as mensagens de desabafo foram até poucas. Eu queria é dizer "meu caro, manda mais umas 89 mensagens. Desabafa. Que se eu estou bravo aqui do meu sofá eu imagino você, no ônibus no meio da estrada." 


"Depois de ver Copete."


Gazeta Press
Gazeta Press

Diferenciado


Não fiquem chateados comigo: Cuca salvou o Santos do rebaixamento, mas faz um trabalho ruim. Insisto: é muita escolha errada para pouco tempo no clube.


É briga com diretoria, é ignorar a base, é ignorar gringo, é escalar Copete. É escalar Yuri. Jogar no 4-2-4 de Jair. Copete.


Copete.


Em 2018.


Meu caro amigo, esse texto existe porque eu estou bravo. Com o time, claro. Mas mais com o fato de que você foi obrigado a ver esse show de horrores produzido por jogadores desinteressados, preguiçosos e sem vergonha na cara.


Copete.


Em 2018.