Santos: Renato é a definição de herói silencioso

As senhoras e os senhores imaginem a seguinte cena: Robinho toca em profundidade, Renato encobre Doni, a bola bate na trave e sai. Fim de jogo 5 minutos depois, Santos 1 x 0 Corinthians, ida da final do Brasileiro de 2002.


Se fosse esse o placar, o Santos teria perdido o título mais importante de nossas vidas assim que o Corinthians tivesse virado o jogo para 2 a 1 no jogo de volta, como aconteceu. Seríamos mais tristes, a seca continuaria, eu não sei se esse clube estaria hoje.


Mas a história foi outra: Renato, preciso, encobriu Doni. A bola toocu a trave, mas seguiu para tocar as redes. O Santos venceu por 2 a 0 e, uma semana depois, quando o Corinthians virou para 2 a 1, teve a oportunidade de manter a calma, porque nada estava perdido.


E foi campeão brasileiro porque um herói silencioso fez o que ele não se espera - apenas se sabe que ele é capaz: Renato foi, como sempre, preciso. Perfeito.


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Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Renato é uma lenda


Vocês talvez sejam jovens demais, ou velhos demais, e não lembrem onde estavam naquele dia 8 de dezembro de 2002. Eu lembro: no Portuários, clube em Santos, assitindo embaixo de uma tenda a partida após jogar bola o dia inteiro (saudades, 12 anos). 


Na hora de ir embora, após gritar loucamente o gol de Renato, tomei aquela que segue, até hoje, a maior chuva da minha vida. Renato, portanto, permitiu uma chuva que, para mim, é a definição de "lavou minha alma". Sem o gol desse herói silencioso, seria apenas mais uma chuva que me deixaria molhado e gripado.


É sempre bom lembrar que ele jogou todas as partidas daquele campeonato, por todos os minutos, sem levar cartão amarelo. Um volante fez isso. O quão surreal é?


E o quão fundamental ao título foi? Porque, imagina, se Renato é suspenso, quem jogaria em seu lugar? Paulo Almeida era titular. O melhor reserva era Alexandre - e você provavlmente não lembra dele. O nível, ali, não era dos maiores.


Só o de Renato. O maior.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

425 vezes. Todas com classe


Muita gente diz que "viu Neymar", "viu Robinho", "viu Diego", "viu Giovanni".


Eu digo, também. Mas eu digo com muito orgulho que vi, e muito, Renato. Desde 2000, quando o Santos contratou um volante aleatório do Guarani que ninguém ligava. Quem diria que seria tão certeira a contratação?


Vi por 18 anos e, sempre, com a classe que lhe fez tão grande. Matadas no peito, bola no chão, três dedos, bola precisa no pé do companheiro. Terno, sim, apesar de não ser fã deste termo. Para mim, ele faz o que deviam fazer sempre. Sem alarde. Terno chama a atenção. Ele fazia é como todo santista, de chinelo e bermuda.


Ele sempre foi um de nós.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Obrigado


Para finalizar, a primeira memória que tenho de Renato data de 7 de abril de 2001. O que aconteceu nesse dia? Matonense 4 x 5 Santos.


O Santos abriu 4 a 0 no começo do 2° tempo. Mas, bem, era o Santos pré-2002. A Matonense empatou o jogo. Sim, 4 a 4. Em 16 minutos. 


Até que o 5° gol saiu. Aos 38 minutos. 5 a 4. Vergonha evitada. 


Ah!, o gol foi... Vocês sabem de quem.


Do herói silencioso.


Outros Meninos da Vila


Para lembrar mais das histórias de 2002, como a de Renatinho, o clássico CULT Outros Meninos da Vila está de volta, mas no Instagram:




 

 

 


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Nome - Alexandre Alves da Silva O Popular: Alexandre Posição - Volante De onde veio - Guarani Quanto durou - 2002/2003 Se Renatinho se aposentou, é válido lembrar de quem era seu reserva em 2002, o auge de nossas vidas. E este era Alexandre, volante que entrou algumas vezes no título brasileiro e que deixou o time em 2004, para jogar no Saturn, da Rússia. Como Renatinho jogou todos os jogos do título, Alexandre não teve muitas chances, mas não foi mal. O que importa é: sim, Alexandre é campeão brasileiro de 2002. Seu último registro profissional data de 2015, no Santa Rita. #sfc #santos #santosfc #meninosdavila #futebol #memória #história #santosfutebolclube #santista


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