Bruno Henrique é a prova de que correria ainda engana no futebol

Quando Bruno Henrique foi contratado pelo Santos, em janeiro de 2017, escrevi aqui sobre como gostaria de vê-lo jogar: pela direita, em um sistema de inversão de jogo que o faria pegar defesas desprevenidas e sem muitos marcadores para impedi-lo de correr.


Isso nunca aconteceu. Bruno constantemente jogou pela esquerda, a ponto de forçar, em 2018, Rodrygo a mudar de lado. O jovem sempre foi superior ao companheiro de equipe e muito de sua queda de rendimento do meio para o final do ano teve a ver com essa situação.


O problema: Bruno também não foi bem pela esquerda. Aliás, foi muito mal. Ou seja: não foi usado como deveria e ainda tirou espaço do craque do time.


Bruno Henrique não fará falta ao Santos. Só para quem ainda é enganado por correria. Em pleno 2019...


Gazeta Press
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Prometeu muito, acabou entregando pouco


Porque há duas maneiras de se analisar o esporte: no olho e nos dados. Ambas dão respostas - às vezes diferentes, às vezes se confirmando. No caso de Bruno elas se confirmam: e provam que sua venda é positiva ao Santos.


No olho, o que se viu em 2017 foi um Bruno Henrique que corria, corria e, a cada 10 jogadas, acertava uma. Só que essa uma ou era bonita, ou decisiva. Então valia a pena a insistência, ainda mais em um time sem muitas soluções e criatividade.


Em 2017, Bruno fez 53 jogos, marcou 18 gols e deu 13 assistências. Bons números (crédito: FutDados).


Já em 2018, no olho, Bruno corria, corria, corria, continuava correndo, a bola nem com ele estava mais, mas ainda estava correndo. E aí, quando percebíamos, o Santos já estava tomando um contra-ataque e ele lá, correndo e saindo sozinho pela linha de fundo. A cada 20 jogadas, um acerto. Passou a não valer mais a pena. Passou a ser negativo. No olho.


E nos números: em 2018, ele fez 33 jogos. Só dois gols. Só três assistências.


Não vale a pena.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Correr, correr, corre... E... Nada?


O problema é que o torcedor comum quer "raça", "vontade", esses conceitos abstratos que são puramente teóricos. Então, para ele, um cara que corre em toda jogada que pega na bola é "bom", "útil".


Mas não é.


Correria pode existir, mas com objetivo, dentro do plano de jogo. A correria de Bruno nunca foi feita dessa forma. E ele não parece ter outro recurso em seu jogo. Se torna inútil em campo. Mais atrapalha do que ajuda.


Além disso, a venda é positiva por fatores extra-campo, também. Primeiramente, pelo dinheiro. Agora, o Santos pode investir em um atacante, algo pedido por Jorge Sampaoli e de clara necessidade no elenco.


Também chega Ronaldo, alguém que pode fazer a saída de bola no meio do jeito que o ténico argentino gosta e que tem feito com Alison - jogador que tem entendido e se esforçado para ajudar no sistema, mas sem qualidade no passe para que possa ser titular.


Outro fator é o da falta de lealdade. Claro, sei que no futebol isso já é passado. Mas o quão justo é um time manter um jogador por meses parado (o problema no olho) e, quando ele enfim fica saudável, pedir para ir embora?


Questão de caráter. No caso, falta de.


E falamos de um jogador que o Santos manteve no elenco mesmo sabendo que por cinco jogos da Libertadores ele não estaria presente, já que cuspiu num rival do Barcelona-EQU em 2017. 


Questão de caráter, repito.


No caso, falta de.