Calma, santista! É com a bola no chão até o último lance

O Bayern de Munique perdia para a Juventus de 2 a 1, em casa, sendo eliminado da Liga dos Campeões de 2016. Isso aos 46 minutos do segundo tempo. A bola na própria defesa e os alemães começam a trocar passes. E a bola não sai da defesa. E de repente avança. E seguem trocando passes. E povoam a beira da área. E seguem passando. E perdem a bola. E a recuperam. E tocam. Até achar espaço, bola na cabeça de Thomas Müller, gol, prorrogação. Nela, virada para 4 a 2.


Toque de bola.


Independentemente do placar.


Toque de bola.


Repete comigo: toque. De. Bola. Até achar a melhor posição. Sem desespero. Toca a bola, Deixa ela no chão.


Santos FC
Santos FC

Bola no chão. Até o fim


Veja, eu não estou comparando a qualidade do Bayern, os jogadores, a importãncia da partida nem o tamanho do adversário. Eu estou comparando a ideia.


E é bom você se acostumar com ela.


O Santos penou, só foi achar o gol da vitória contra o Mirassol no último lance. Mas, te questiono, e daí? 


A ideia de jogo esteve lá do primeiro ao último lance. Até dar certo. Não muda a ideia. Segue o plano. Insiste. Inverte a bola. Toca. Procura espaço. Se mexe.


Bola no chão. Até achar. Vai achar. Achou. Gol, vitória.


Tal como aquele Bayern de Guardiola, o Santos tem uma idea fixa: mantém a bola rodando no gramado. Até que seu adversário dê uma brecha. Ela pode demorar, como demorou em Santos 1 x 0 Mirassol. Mas uma hora ela aparece. E aí, com a bola no chão, você aproveita. E mata o jogo.


Bola no chão. Repita isso como mantra.


Santos FC
Santos FC

O homem manda. Eles obedecem. A gente desfruta


Eu sei, você não está acostumado. Acha que, no desespero, vale subir todo mundo de qualquer jeito, cruzar a bola de qualquer ponto do campo, rezar para um gigante acertar uma cabeçada.


Calma, respira.


Bola no chão.


Bola no alto não é de ninguém. Bola no chão é sua. Cuida bem dela. Trabalha, Gira. Toca. Acha o vazio. Se mexa. Profundidade. Deu errado? Volta. Gira de novo. Toca no meio. Se joga. De carrinho mesmo.


Gol.


Porque a bola esteve no chão. Foi sua. O tempo todo.


Esqueça cruzamentos. Esqueça balões. Esqueça lançamentos longos.


Bola no chão.


Com ela, vamos até o final.


Qual será o final? 


Cara, eu não faço ideia.


Mas eu estou disposto a descobrir. Com Sampaoli eu vou até lá. Espero você comigo. Vamos desfrutar juntos.