Sim: enquanto puder, "passarei pano" para Sampaoli no Santos


Futebol é sentimento


O futebol, ou o esporte em geral, é um grande escape de nossas vidas, do nosso cotidiano. Quando temos um problema na família, no trabalho, com os amigos, o esporte serve como uma fuga. Esquecemos do resto e nos focamos naquelas duas horas em que o mundo é apenas um campo, uma quadra, suas arquibancadas. E nada mais.


Quando eu assisto futebol, eu quero entender a história do que estou acompanhando. Quero entender o que aquilo traz de cultura, de tática, de ideias.


Quero, basicamente, sentir.


Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

No estádio, sinta. Qual a graça se você ficar indiferente?


Por isso, quando vejo as pessoas, em qualquer tropeço do Santos, usarem clichês como "ué, Sampaoli não era o mágico?", "então quer dizer que Sampaoli erra?" ou qualquer coisa do gênereo, eu passo. 


Eu passo porque são pessoas que não vivem o futebol. Que têm medo do novo, da mudança. Elas simplesmente não querem que algo tão diferente do que elas estão acostumadas triunfe. 


A vitória do novo significa que o normal está ultrapassado. E que você precisa reciclar suas ideias. E o humano tem preguiça disso. Ele gosta de se apegar ao passado.


E eu passo e penso no futuro. Penso que o caminho que esse time de Sampaoli trilha. Que se a glória vier ao final, eu terei me divertido por todo o percurso. E se não vir, eu terei curtido antes e terei esse sentimento feliz na memória.


Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Quero sair de casa, me divertir e, só depois, pensar na vitória


Por isso, eu vou "passar pano" quando esse plano falhar. Porque é um plano muito, mas muito interessante do que os que foram colocados em prática nos últimos anos não só de Santos, mas de futebol brasileiro.


É um plano que me faz pensar, estudar, analisar, buscar um novo entendimento. Que me faz crescer no que penso sobre futebol. Que me faz perder o medo de mudar.


Não é um plano que eu saiba de cor o que vai acontecer: "o time vai dar a saída de bola, tocar pra trás, dar um bicão pra frente, perder a bola, ser reativo, perder de pouco, treinar rachão durante a semana, ganhar um jogo por sorte".


Não. Esse plano me traz coisas novas todo jogo. Em dois meses, eu vi o Santos vencer de goleada; vencer apertador; perder de goleada; ser eliminado; se classificar; ganhar com gol no último lance; ganhar com gol no primeiro lance.


Todo jogo eu sento e espero a novidade - seja ela boa ou ruim. O que importa é: eu vou me divertir.


Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Ao fim do jogo eu sentirei algo, ruim ou bom


No apito final, eu terei vivido uma experiência. Eu não sairei do estádio ou da frente da tv entendiado. Algo interessante terá sido me mostrado e eu vou poder me debruçar em meus pensamentos sobre isso.


E com prazer. Não pensando em como o time jogou no 4-2-4 sem meio campo. Ou sobre como o zagueiro falhou em todas as bolas aéreas. Ou sobre como o técnico mais uma vez inventou desculpas para uma derrota.


Eu vou sentar e ver o técnico falando sobre como "o arco rival é como uma religião". Eu verei a linha de zaga armando jogadas. Eu verei meu time dando chutes e mais chutes na pequena área do rival, depois de tocar a bola e driblar e buscar o gol até o final.


Eu só quero sentir o futebol. E se Sampaoli me dá essa possibilidade, eu vou "passar pano", sim. Na derrota, na vitória, no empate. 


Eu vou desfrutar.