Aguilar melhora no Santos e mostra como imediatismo faz mal ao futebol

O Santos, até este dia 10 de março, só perdeu um jogo no ano: não foi para Palmeiras, nem Corinthians (aliás, dois clássicos fora de casa sem tomar um gol sequer), nem São Paulo - mas, sim, para o Ituano.


Sem que se saiba o placar, é uma derrota normal: em 10 jogos do Paulista, um problema em jogo no interior é comum. Sabendo o placar, porém, o desespero pode bater: 5 a 1.


Foi feio, mas quando isso ocorreu pedi "CALMA" em todos os lugares possíveis: redes sociais, no texto que escrevi aqui e no meu canal no Youtube. Porque do que adiantaria raiva, ódio, críticas mais pesadas, reclamar do técnico ou queimar um jogador em específico por causa de um jogo que nada significou em termos de tabela, eliminação ou qualquer coisa do gênero?


Mas Felipe Aguilar apanhou de deus e o mundo naquele domingo.




E ele jogou mal mesmo: errou pelo alto, por baixo, deixou buraco nas costas, perdeu bolas dominadas, errou passes e três gols do Ituano tiveram influência direta do colombiano.


O imediatismo, então, apareceu: ele não servia para o Santos; Sampaoli era louco de escalá-lo; José Carlos Peres havia cometido o pior gasto de dinheiro da história do clube ao pagar R$ 15 milhões.


Porque é assim que se ensina futebol no Brasil: errou, é o pior do mundo; acertou, é gênio. Não existe meio termo. Só existe craque e lixo. Título e rebaixamento.


Ninguém lembra que existem 600 opções de histórias e medidas entre a glória e o desespero.


Aguilar seguiu no time, bancado por Sampaoli. Ainda não foi suspenso, esteve em campo em todas as partidas e, desde aquele jogo, o Santos só sofreu dois gols no Estadual, ambos para o Oeste, nenhum com falha dele.


Além disso, passou a ser o que melhor se recuperar na cobertura de algo que ocorre bastante com o Santos, já que joga com a dupla de zaga bastante adiantada: bolas longas nas costas dele e de Gustavo Henrique. Algumas vezes, já, o colombiano foi quem se recuperou e salvou o Santos com carrinhos providenciais na hora do chute que bateria o goleiro.


Pelo alto, fator de constante pavor para o santista, que viu o time tomar gols e mais gols de bola aérea nos últimos anos, tem sido dominante. Por baixo, no mano a mano, não tem perdido na corrida, nem no drible.


Mas, para os imediatistas, ele não deveria nem estar no país, mais, imagina como titular do Santos.


Contra o Corinthians, neste domingo, 0 a 0 em Itaquera, foi o melhor em campo.


Vagner Love, Boselli, Clayson... Todos deitaram e rolaram para cima de Felipe Janatan, Gustavo e Victor Ferraz. Aguilar salvou todos do trio: primeiro, começou o jogo pela esquerda, impedindo as costas de Jonatan de serem ocupadas; em seguida, mostrou leitura de jogo, viu que Ferraz e Gustavo, do mesmo lado, eram alvos fáceis da correria, e pediu inversão para Sampaoli. O que vimos no segundo tempo? Clayson driblando Ferraz e sendo para na cobertura... Por Aguilar.


Boselli também foi parado mais de uma vez pelo colombiano: por baixo e, principalmente, pelo alto. Qual lance de cabeça, o principal do Corinthians, deu certo?


Isso mesmo: nenhum. Por causa de Aguilar.




Muitos só passaram a perceber isso contra o América-RN, quando ele fez gol. Em um futebol no qual a torcida não é ensinada a ver tática, e só o gol, o momento final do lance, Aguilar precisou ir ao ataque para ser respeitado. Torcedor, olhe lá para trás. Ele está dando show.


O colombiano é mais uma prova de que imediatismo é, simplesmente, burrice. Por menos burrice no futebol, por favor.