No pacote Sampaoli consta o embarque na insanidade. E eu topo fácil

Quando Jorge, o argentino, foi confirmado como técnico do Santos, ainda em dezembro de 2018, escrevi o seguinte texto aqui: Embarque na loucura de Sampaoli.


Nele, eu clamava pela chance de mudar. Pela chance de fazer algo diferente, fugir da mesmice brasileira. Que a gente topasse dar tempo, que não se abalasse com atuações fracas, com eliminações, com derrotas. Porque o resultado viria lá na frente.


Até aí o plano segue: caiu no Paulista? Zero problemas. Tivemos revezes para times menores? Nada significaram. Atuações médias? Normal, todos têm.


A outra parte é que começou a aparecer nesta semana: a da loucura total.


E eu vou é me divertir.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

"Segue em frente. Todo mundo"


O Santos teve gande atuações no ano, já, como contra o São Paulo, São Bento, Bragantino, Red Bull... E aí chegamos nesta semana, a do auge do Sampaolismo na Vila Belmiro.


Contra o Corinthians, segunda-feira, o amasso no clássico. "Mas foi eliminado", alguém pode dizer. Sim, mas a partida, em si, foi de domínio completo. Tal como na última quinta, no 3 a 0 contra o Atlético-GO e a classificação na Copa do Brasil. Dois jogos com mais de 65% de posse de bola e mais de 30 chutes a gol.


Foi o auge dos ainda só 3 meses de trabalho de Sampaoli no Santos. Por quê?


Porque, constantemente, o Santos jogou com 5 atacantes na área do adversário - ou melhor, em linha, se movimentando, denro, fora, lados. 


Na meia, os laterais. Sim, isso mesmo. Os laterais viraram meias, foram um ataque com 7 nomes.


O volante? Um só. Às vezes na linha da zaga, às vezes como uma segunda linha dr armação. Sim, 8 no ataque.


Os zagueiros? Sempre do meio campo para frente. Não vamos dizer 10 no ataque, mas 9... Hum... Aconteceu, hein?


Insanidade, loucura, demência mesmo. Todo mundo lá na frente, forçando o rival a um desespero claro. Como marcar? Como contra atacar? Como neutralizar? Como acalmar o jogo?


Ninguém teve resposta nesta semana. Mas o mais legal ainda nem citei.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jean Mota voltou a jogar bem, aliás


Em determinado momento do segundo tempo do jogo contra o Atlético-GO, qualquer técnico brasileiro (repito: QUALQUER) colocaria um volante para segurar o resultado. Estava 2 a 0, vaga na mão, e o time com 5 atacantes/meias. Uma atitude razoável seria recuar Pituca, voltar Ferraz para a lateral, diminuir a quantidade de gente na frente.


Sampaoli, não.


Ele simples colocou Jorge, lateral mais ofensivo, e colocou Cueva no lugar de Alison. Como Derlis foi o outro que saiu, a conta ficou: menos um atacante e um volante, mais um lateral e um meia/atacante.


Ele avançou mais o time.


Insanidade, loucura, demência.


O Santos não diminuiu o ritmo e acabou por fazer 3 a 0, e não levar o 2 a 1 - que significaria pênalti.


E é por isso que eu defendo Sampaoli. Vejo quem cobre por resultado. Em 3 meses? Estou tranquilo. Vejo quem cobre sobriedade. Para quê? É futebol. Eu quero é maluquice.


Eu quero é meu time lá na frente, o tempo todo, com o máximo de jogadores o possível. Se 5, 6, 7, 8, 9 ou 10, não me importa.


Sampaoli, tira mais um volante e mete mais um atacante, por favor.