Intervenção divina breca o São Paulo na Copinha

Amigos, se deus existe, ele é gaúcho da cabeça aos calcanhares. Foi o poder divino que operou o clima sobre a Arena Barueri na noite de segunda-feira para livrar o Internacional do maior baile da história da Copinha. Enquanto houve o tal do futebol antes do dilúvio bíblico, os aspirantes foram implacáveis com os colorados, que nada puderam fazer senão orar por um milagre que os livrassem dos onze demônios em três cores. E ele veio, acreditem ou não, o sobrenatural salvou a gurizada.


Eis aqui uma verdade inapelável: a única chance que tinham de avançarem à final do torneio seria batalhar pela manutenção do empate no campo encharcado até o sortilégio das penalidades. Defender o pênalti cobrado por Liziero, no primeiro tempo, encheu o goleiro colorado de confiança. E todos sabemos que a confiança é capaz de transformar até o mais baboso dos idiotas num Hércules de porrete e toga branca pronto para a batalha.


Afonso Pastore/saopaulofc.net
Afonso Pastore/saopaulofc.net

Escrete tricolor, antes do primeiro tempo avassalador. Gol aos 33 segundos desnorteou os guris do Inter


No entanto não há milagre que dure tanto neste que é o mais vil dos esportes, e o Inter tem nova data e hora para voltar a sofrer – o ser que leva o apito no beiço, aquele que não tem nome nem alma, decidiu que a partida será retomada hoje à tarde em nome do bom-senso e para delírio colorado.


Um e outro da delegação gaúcha, mão trêmula e olhar rútilo, tentou argumentar às autoridades que a partida devia seguir. Nos bares de Porto Alegre, torcedores cochichavam uns aos outros: “se o jogo segue, sou mais a gurizada”. Um amigo professor, hoje vivendo fora do Brasil, pensou por um instante que valeu a pena vencer o fuso e o sono para acreditar nos seus, mas o encanto já havia sido quebrado e, o destino do Inter, selado.


Terão de enfrentar novamente um escrete decidido a ser campeão. Um time que, em apenas um tempo, atacou e desarmou de todas as formas possíveis e conhecidas pela humanidade, e que certamente retornará a campo disposto a fazer o adversário ver, e apenas ver, a bola circular por todo o campo, principal característica do nosso conjunto. Se assim for, oremos, a tarde de terça será novamente de chuva. Só que, desta vez, de gols na meta do Internacional.