O São Paulo do Brasileirão que o torcedor quer e sonha

Rubens Chiri/saopaulofc.net
Rubens Chiri/saopaulofc.net

Aguirre em ação: nas suas mãos o elenco caminha para funcionar como engrenagem. Por enquanto, é pura alma e coração.


Amigos, se avizinha o campeonato nacional e chegou o momento do torcedor tricolor se recolher diante do momento crítico e fazer seu prognóstico. Seremos todos um bando incontrolável de otimistas até o final, é claro, mas antes de sofrer precisamos saber fazer um balanço do escrete e, a partir daí, regular as expectativas para o torneio.


Com a chegada da Diego Aguirre, temos uma verdade inapelável: em suas mãos, o São Paulo passou da condição inanimada, de um ser que baba nas calças, para caçador implacável que se antecipa aos movimentos da presa e prepara botes certeiros. O elenco, antes um moribundo de sarjeta, hoje caminha a passos largos e com a coluna ereta.


Essas características já nos garantem, de antemão, um destino que passo longe daquilo que vivemos nas últimas edições – amigos, mantido o espírito das últimas batalhas, forjado na centelha do fogo que brilha celeste, manteremos a distância do limbo onde vagam, errantes, as almas desenganadas, as que aguardam o despacho à segunda divisão.


Mas ainda há o que ajustar, ainda existem imperfeições. Corrigi-las antes do nacional pode determinar o futuro do clube em dezembro, e precisamos saber, neste momento, se o técnico uruguaio de fato é o escolhido. Camisa 5 lista alguns fatores fundamentais para nossa evolução no campeonato que se aproxima.


Homem gol. O São Paulo atual é arco que dispara flechas desprovidas de ponta afiada. Todo esquadrão tem o 10 e tem, sobretudo o 9, o jogador que materializa a ideia e sentimento em gol. Temos passado ultimamente por batalhas das quais sairiamos vencedores se entre nós caminhasse o artilheiro de olhar rútilo e perna torta.


Esta figura pode ser o uruguaio Gonzalo Carneiro, que o clube finalmente conseguiu incorporar após uma série de tentativas. Apesar do nome, se movimenta em campo como predador e seus arremates possuem a letalidade de que necessitamos. Mas o sol que brilha ao sul não é o mesmo de São Paulo, de forma que é preciso esperar ver como se comporta com a camisa que tem o peso de todo universo e mais três estrelas.


O pé frio de Diego Souza. O jogador não é um camisa 9 nem nunca será, e com ele em campo o vento sopra mais gelado, o espelho cai e se parte em mil pedaços, a vida se torna um eterno passar por entre escadas. De forma que sua ausência dos planos de Aguirre, seu afastamento, seu nome longe da lista de relacionados, só fazem bem ao Tricolor.


Insistir em sua permanência no time titular como centroavante fatalmente nos levará ao fracasso, às chances perdidas, à chacota dos rivais. Ter ficado de fora da partida de ida contra o Rosario Central, e que partida de la puta madre do escrete, permitiu que os astros se alinhassem para emanar energias positivas ao nosso favor.


A magia do 3-5-2. O esquema tático que consagrou o Tricolor em uma série de oportunidades ao longo da gloriosa história deveria constar vitalício no estatuto do clube. Trazê-lo de volta deve fazer com que o escrete fique mais sólido defensivamente sem abrir mão do ataque, já que os laterais titulares ajudam mais o time na metade ofensiva do campo.


Nos poucos minutos em que esteve em prática, contra o Rosario Central, o time foi bem e mostrou confiança. Iria melhor se tivesse entrado com Bruno Alves no lugar de Rodrigo Caio, o zagueiro que joga triste. Mais do que o fator tático, esse que deixo a cargo daqueles que se vestem com o terno da razão, o 3-5-2 é pura magia, sobretudo nos jogos no Morumbi.


Temos um profe. E se quisermos sonhar com coisas importantes no futuro é preciso mantê-lo no clube. Não é necessário emanar iluminação divina pela testa para perceber que o escrete passou a ter mais confiança em campo a partir da chegada do uruguaio. Tem a visão clara do que precisamos e a mentalidade de aplicar suas ideias em etapas é algo alinhado com a demada tricolor em momento de reconstrução.


Uma eventual saída no final do ano seria algo traumático uma, vez que interromperia o trabalho para, quem sabe, uma campanha na Libertadores 2019. O clube precisa encarar o tema como prioridade se quisermos mesmo brigar por coisas importantes lá na frente.