Torcida Tricolor, combustível inesgotável contra Botafogo

Amigos, se há um lugar no País onde o combustível é abundante e inesgotável, esse lugar é o estádio do Morumbi. A torcida que não abandona, e que tem conduzido o escrete pelas mãos para longe da sarjeta nos últimos anos, se configura mais uma vez matéria indispensável para mover a máquina Tricolor rumo à vitória nesta quarta-feira contra o Botafogo, no torneio nacional.


Se afora dos nossos muros a vida se mostra como um filme surrealista, no qual personagens experimentam situações de quase-morte por nacos de existência, do lado de dentro a loucura é produto da fraternidade que emana da multidão empurrando o clube de nossos amores. O Morumbi não é cimento e concreto armado. É, antes de tudo, e sobretudo, o mais terno dos abraços.


Rubens Chiri/saopaulofc.net
Rubens Chiri/saopaulofc.net


De forma que, esta noite, os tricolores não se devem deixar levar pelos obstáculos que existem nos caminhos que levam até a partida e seguir ao campo de jogo a qualquer custo. O esforço se faz necessário uma vez que vencer o alvinegro carioca representará, na prática, a prova irrefutável de que a condição de única equipe invicta no campeonato não seja fruto do acaso, como tem caluniado por aí as aves de rapina, os beócios que se vestem com o terno da razão.


Vencer o Botafogo significa manter sob nosso domínio a confiança, esse animal arisco que nos torna um bando de indefesos quando escapa por entre os dedos e as brechas do peito. E precisamos dela por perto para alcançar aquele que é o principal objetivo do torcedor nesta primeira etapa antes da pausa para a Copa do Mundo: vencer o Palmeiras na sua casa, no próximo sábado, diante de seus seguidores.


Mas antes, o Botafogo, o módico e nostálgico alvinegro do Rio. O rival que ainda não venceu fora de casa no campeonato desembarcou na cidade munido de todas as mandingas e orações para suportar a pressão da Torcida Tricolor. Sua bandeira no Brasileirão é uma causa justa, porém menos nobre que a nossa: luta para sobreviver no meio da tabela, o vácuo que existe entre o limbo e a glória.


Ainda que o rival do outro lado exale fragilidade, é preciso cautela e proteção. No tal do futebol, esse que é o mais vil dos esportes, não há outro clube mais azarento do que o Botafogo. Dizem que por onde passa deixa rastros de má sorte, que carrega na bagagem almas perturbadas que atraem ao ambiente onde se encontra um sem-fim de mazelas e agonias.


Não esta noite, não no Morumbi, senhores. Que nossa casa hoje se cubra com o espírito do Mestre Telê e de tantos outros ídolos que se manifestam quando a torcida, esse combustível infinito, começa a cantar. Se do lado rival impera o mau agouro, do nosso a sorte nos sorri como uma velha amiga. Do contrário, o que explicaria o fato de Diego Souza, este ser cambaio que baba nas calças, estar marcando tantos gols?