É muito cedo para dizer que Cueva é melhor que Ganso?

Ganso chegou ao Morumbi em 2012, saudado por um Morumbi lotado e que mais tarde veria uma vitória do time. Era tarde de domingo, fazia sol, mas o calor estava tranquilo. No gramado, olhávamos para aquele jogador que seria nossa referência ofensiva nos anos seguintes, sem mesmo sabermos se ele seria titular em algum momento de sua passagem pelo clube. Nos anos anteriores, apesar do ótimo começo, se tornou coadjuvante de um Santos que ganhou quase tudo que disputou.

Vale dizer que Ganso só foi virar titular mesmo do São Paulo em 2013, quando Jadson perdeu a forma, foi para o banco e, na briga contra uma temporada ruim, viu Paulo Henrique jogar muita bola. No ano seguinte, ao lado de Kaká, o sonolento Ganso finalmente despertou e fez a torcida se encher de esperança. Foi ativo, fez gols, deu muitas assistências, parecia mais com aquele jogador que brilhava no começo de carreira no Santos, ao lado de Neymar. Em 2015 e parte de 2016, foi assim também.

No meio de 2016, o Sevilla chegou com uma proposta e o levou. Era sua chance de finalmente se destacar na Europa, com um treinador de renome no comando, e a falta que se imaginou foi aumentando conforme o São Paulo se afundava no Brasileirão. Ganso, a peça fundamental do primeiro semestre, não estava mais lá para nos salvar. E aí surgiu um tal de Cueva, um baixinho peruano que poderia nos ajudar depois de atuar pelo Toluca, do México.


Gazeta Press
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Como se esquecer da Cuevadinh4, né?


Cueva chegou tímido ao São Paulo. Sua apresentação foi logo ofuscada pela polêmica de Getterson, também anunciado daquela mesma ocasião. Com pouco mais de um turno no Brasileirão, fez 7 gols, ainda que a maioria tenha sido de pênalti. Também deu 5 assistências, sendo um dos principais jogadores do torneio neste fundamento. Isso sem contar sua brilhante atuação contra o Corinthians, na reta final, quando participou de todos os gols da goleada. Naquele momento, estava claramente no auge.

Em 2016, foram apenas dois jogos no Paulistão (não vou contar Florida Cup). Até o momento, um gol e duas assistências. Após finalmente ter uma pré-temporada e ter descansado bem, pode ter uma enorme temporada no Tricolor. Para o peruano, falta apenas se adaptar melhor ao péssimo estilo de arbitragem daqui e não se irritar tanto, pois assim acaba levando muitos cartões amarelos por pura besteira, mas isso faz parte de sua personalidade, de buscar sempre o jogo e servir os companheiros.

Contra a Ponte Preta, Gilberto brilhou fazendo três gols e abrindo uma bacana competição no ataque tricolor, mas quem realmente se destacou foi Cueva, com gol, passes e muita movimentação. Conhvenhamos, nenhuma novidade para a torcida tricolor.

Depois que Ganso se foi, a escuridão se fez no Morumbi, mas Cueva trouxe a luz de volta e a faz brilhar mais do que nunca. O peruano se movimenta pelo campo todo, diferente de seu antecessor, entra na área, marca gols e até volta para marcar ocasionalmente. Pode ser cedo para dizer que Cueva está melhor do que Ganso no São Paulo, mas é inegável que ele será, uma hora ou outra, se mantiver esse ritmo.

E, acima de tudo, é importante que ele continue nos dando alegrias por muito tempo.