Os dez jogos que refletem a temporada 2017 do São Paulo

Reginaldo Pimenta/Raw Image/Gazeta Press
Reginaldo Pimenta/Raw Image/Gazeta Press

Hernanes, o herói de 2017 e que virou a cabeça dos torcedores


Foram muitas partidas do São Paulo em 2017. A grande maioria foi ruim, mas algumas poucas boas atuações nos iludiram nesta temporada. Por isso, o blog Terror do Morumbi decidiu relembrar dez jogos que refletiram o ano de altos e baixos do Tricolor entre Florida Cup, Paulista, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Brasileirão. Atuações sofríveis, vitórias suadas, goleadas feitas e sofridas, protestos e festas da torcida. Teve de tudo neste ano que, a partir de agora, ficará na memória para jamais esquecermos e evitar que esse filme se repita.

Vamos à lista:

1. Santos 1 x 3 São Paulo – Campeonato Paulista (3ª rodada) - 15/02/2017 – ‘O jogo que iludiu a torcida’

Depois de uma estreia com derrota para o Osasco Audax, o futuro não parecia muito brilhante para o ofensivo São Paulo comandado por Rogério Ceni. A segunda rodada nos presenteou com uma goleada sobre a Ponte Preta, mas logo teríamos um duro desafio contra o Santos, na Vila Belmiro que tanto nos complicou recentemente.

O começo do jogo foi um reflexo do que nossa defesa nos mostraria durante o ano. Vitor Bueno deixou Buffarini sentado no chão, cruzou na pequena área e Copete apareceu sozinho para marcar. Parecia que a derrota estava escrita e ninguém conseguiria mudar isso. No fim do primeiro tempo, porém, uma jogada despretensiosa resultou em pênalti convertido por Cueva.

No segundo tempo, apostando nos contragolpes e na marcação alta, o São Paulo matou o jogo com dois gols de Luiz Araújo, que havia começado a partida no banco. Ele e Cueva destruíram o rival e formaram, naquele começo de campeonato, a dupla que todo são-paulino sonhava desde o início. Foi uma curta e bacana ilusão.

2. Palmeiras 3 x 0 São Paulo – Campeonato Paulista (8ª rodada) – 11/03/2017 – ‘A realidade bate na porta

Depois da derrota na estreia, o São Paulo emendou uma boa sequência de resultados e não havia perdido nos jogos seguintes. Com o contratado Lucas Pratto para balançar as redes e Cueva em grande fase, o time parecia embalado com seu futebol ofensivo, mesmo que a defesa ainda estivesse atrapalhando em muitas ocasiões. Para o clássico, porém, Rogério Ceni decidiu recuar o time apostando em contragolpes, já que a cara equipe rival era favorita.

O primeiro tempo contra o Palmeiras foi truncado, sem muitos espaços e com raras chances de perigo. Sem Cueva, machucado, o São Paulo nada fez. No último lance, Dudu se aproveitou de um erro na saída de bola do Tricolor e chutou do meio do campo, encobrindo Denis que estava substituindo o lesionado Sidão. Tão criticado na temporada anterior, era tudo que não precisava acontecer com o então goleiro reserva do time. Foi o que encerrou sua passagem pelo clube, ainda bem.

No segundo tempo, o São Paulo foi para o ataque e cedeu espaços para o rival. Em poucos minutos, o placar apresentava um justo e dolorido 3 a 0 para eles, com direito a mais uma falha bisonha de Denis antes da partida terminar. Foi a primeira de muitas atuações sofríveis do Tricolor no ano, quando o futebol ofensivo foi de vez aposentado e Rogério Ceni nunca mais conseguiu impor suas boas ideias.

3. São Paulo 0 x 2 Corinthians – Campeonato Paulista (Semifinal) – 16/04/2017 – ‘Pranchetas, fair play e o castelo no chão’

No meio da semana, pela Copa do Brasil, o São Paulo sofreu uma dolorida derrota para o Cruzeiro no Morumbi lotado. Não havia, porém, tempo para se abater porque no domingo o time jogaria a primeira partida da semifinal do Paulistão, o único título possível da temporada, contra o Corinthians, novamente em nosso estádio. A expectativa era alta e a torcida compareceu em grande número.

Em campo, fomos dominados pela ótima marcação rival. Pouco criamos e ainda levamos dois gols tolos em contragolpes. O jogo, no entanto, ficou marcado por derrubar de vez o castelo tricolor. Muitas confusões acabaram marcando a partida. A primeira foi quando Rodrigo Caio se acusou de ter pisado sem querer em Renan Ribeiro, fazendo com que o árbitro anulasse o cartão amarelo dado para Jô, que estaria suspenso para o jogo de volta. Criticado pela torcida, pelo técnico e por companheiros de time, o jogador ficou isolado e foi o foco das atenções por um bom tempo.

A outra confusão foi divulgada só depois. Rogério Ceni teria dado um chute na prancheta e acertado Cícero no vestiário durante o intervalo da partida. Logo depois, a informação mudou de prancheta para quadro, mas não o fato de que o clima estava pesado no Morumbi e mostrando o que aconteceria no restante da temporada. A paz não existia mais.

4. São Paulo 1 x 1 Defensa y Justicia – Copa Sul-Americana (Primeira Fase) - 11/05/2017 – ‘O fim da paciência’

Depois de empatar sem gols na Argentina, com direito a chance incríveis desperdiçadas, o São Paulo recebia o desconhecido Defensa y Justicia para o jogo de volta da primeira fase da Copa Sul-Americana. Antes do apito inicial, as primeiras surpresas com Lucão e Neílton titulares. Sem novidade, porém, foi o fato de ambos terem sido péssimos em campo.

O Tricolor até saiu na frente com um golaço de Thiago Mendes, mas recuou, sofreu uma pressão absurda do time argentino e o empate após uma falha de, adivinhem só, Lucão. Neílton jogando como camisa 10 (!) também pouco fez e o time foi se apagando em tentativas frustradas de cruzamentos e perigosos contra-ataques sofridos. Em um melancólico Morumbi frio e vazio, o São Paulo acumulava a terceira eliminação do ano.

Na coletiva, a cereja do bolo. Rogério Ceni decidiu dizer que a equipe foi bem, melhor no jogo apenas porque teve mais posse de bola e criou mais chances, principalmente cruzamentos, sendo que sequer sujou o uniforme do goleiro adversário. Uma vergonha completa.

5. Flamengo 2 x 0 São Paulo – Brasileirão (11ª rodada) – 02/07/2017 – ‘O fim da linha para Ceni’

Após consecutivas eliminações, só restava o Campeonato Brasileiro para o São Paulo. Na situação em que se encontrava, admito que não era ruim ver o time atuar só uma vez por semana porque me poupava de muita raiva passada. Enfim, era o remédio mais amargo possível, mas o time, claro, não se ajudava.


Gazeta Press
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Após fraco desempenho e várias eliminações, Rogério Ceni saiu do clube


Cinco jogos sem vencer e se aproximando do Z4, assim entrava em campo o São Paulo contra o Flamengo naquela tarde de domingo. Mais pressionado, impossível. O capítulo final de um roteiro bem óbvio era escrito naquele dia, quando perdemos de 2 a 0 e entramos pela primeira vez na zona de rebaixamento, um local que infelizmente convivemos bastante nessa edição do torneio.

Ao final da partida, Rogério Ceni foi demitido pela diretoria do clube. Em pouco tempo, seu trabalho não foi dos melhores e entendo que não compensava muito insistir com ele, mas o discurso canalha da diretoria ao se eximir de culpa foi o ponto baixo de uma vergonha sem tamanho para o clube.

6. Botafogo 3 x 4 São Paulo – Brasileirão (17ª rodada) - 29/07/2017 – ‘O jogo mais insano de nossas vidas’

Com novo técnico, o São Paulo tentava se reerguer na tabela de classificação. Com Dorival Junior, o time mostrava uma pequena evolução e tentava sair da zona de rebaixamento. Nas duas rodadas anteriores, no Morumbi, vitória contra o Vasco e empate com o Grêmio, dois bons resultados. Agora, o desafio era fora de casa.

Estreando o repatriado Hernanes, as esperanças do time e da torcida eram recarregadas. E o São Paulo até começou bem, abrindo o placar contra o Botafogo. Duas falhas seguidas, no entanto, resultaram na virada do time carioca, que ainda ampliou o placar no segundo tempo instantes depois de Cueva perder um pênalti. Era mais uma derrota, já estávamos acostumados e nos conformando com a Série B.

Em um cenário épico, o São Paulo reagiu nos últimos minutos da partida e marcou três gols em apenas oito minutos, sendo uma vez com Hernanes e duas com Marcos Guilherme. Entre abraços e lágrimas, comemoração dos jogadores e da torcida., ali sabíamos que o time podia não ser bom tecnicamente, mas jamais se entregaria, com ainda veríamos em outras ocasiões. Esse foi o jogo mais insano de nossas vidas.

7. São Paulo 3 x 2 Cruzeiro – Brasileirão (20ª rodada) – 13/08/2017 – ‘O profeta Hernanes e seus 60 mil fiéis’

Domingo, 11h da manhã e um sol para cada um no Morumbi. A vitória contra o Botafogo mudou o espirito da equipe, mas as derrotas para Coritiba e Bahia rapidamente derrubaram o moral do time e as esperanças da torcida. Mesmo assim, quase 60 mil pessoas compareceram ao estádio para apoiar o time contra um complicado adversário.

Com um golaço de falta marcado por Hernanes, o São Paulo saiu na frente. Em duas falhas seguidas, no segundo tempo, sofreu a virada e o Morumbi virou um local em completo silêncio e desânimo. A equipe novamente mostrou poder de reação e foi para o abafa, primeiro marcando com Arboleda no empate e depois em um pênalti polêmico sofrido por Gilberto, convertido por Hernanes.

No Dia dos Pais, todos os são-paulinos ganharam um presente e se converteram em devotos de Hernanes, o homem que saiu da China para nos livrar do pior momento de nossa história. Ali também começava um período menos complicado para o time na tabela.

8. São Paulo 1 x 1 Corinthians – Brasileirão (25ª rodada) – 24/09/2017 – ‘Entre aulas e polêmicas’

Buscando reabilitação no campeonato, o São Paulo tinha vencido o Vitória fora de casa por 2 a 1 e agora tentava a segunda vitória consecutiva na competição para fugir de vez da degola. O adversário era o Corinthians, líder do campeonato, mas que não estava em boa fase. O jogo foi cercado de tensão e, em campo, de polêmicas.

Jogando bem, o Tricolor abriu o placar no primeiro tempo com Petros e ainda teve a chance de marcar outras vezes. Sem dar espaços para o rival, parecia que a vitória finalmente aconteceria. Na segunda etapa, Militão chegou a marcar, mas teve o gol anulado por uma polêmica falta de Pratto no goleiro Cássio. No fim do jogo, o castigo, com o gol de empate do Corinthians após falta de Rodriguinho em Júnior Tavares no início da jogada.

No fim da partida, de cabeça quente, Petros disse que o Tricolor deu aula em campo. A frase virou o centro da discussão, claro. Entre erros de arbitragem e polêmicas, dois pontos a menos, mas a sensação de que o pior já tinha acabado.

9. São Paulo 2 x 1 Santos – Brasileirão (31ª rodada) – 28/10/2017 – ‘O melhor jogo do ano’

Em todo o Brasileirão, talvez durante todo o ano, não houve um jogo tão bom do São Paulo como no clássico contra o Santos, disputado no Pacaembu. A equipe controlou o jogo desde o primeiro minuto, pouco sofreu e ainda criou muitas chances de gol. Não teve um único jogador que tenha ficado abaixo nesta partida. Você pode argumentar que o alvinegro estava em crise, tanto que demitiu o técnico Levir Culpi logo após o jogo, mas para nós isso pouco interessava.

Os belos gols de Marcos Guilherme, por cobertura, e de Cueva, em eficiente contra-ataque, definiram o jogo ainda na primeira etapa. É verdade que sofremos um gol bobo, mas no segundo tempo o rival só apostou em cruzamentos e não fez o uniforme de Sidão ficar sujo. Foi uma grande partida do São Paulo, que na época acumulava a segunda vitória consecutiva no Brasileirão e se consolidava fora da zona de rebaixamento. Um partida para nos orgulharmos.

10. São Paulo 0 x 0 Botafogo – Brasileirão (36ª rodada) – 19/11/2017 – ‘Rebaixamento? Aqui não!’

O último jogo da lista foi o que garantiu a permanência do São Paulo na Série A 2018. A partida, em especial, não foi lá grandes coisas. Quem conseguiu se manter acordado durante os 90 minutos pode ser considerado um herói, principalmente porque as duas equipes pouco fizeram em campo.

Mesmo sem atingir os tão sonhados 47 pontos, que os jogadores comentavam toda hora, o São Paulo estava matematicamente salvo da ameaça do rebaixamento que tanto atormentou o clube durante o Brasileirão. Foram 14 sofridas rodadas dentro da zona de rebaixamento, troca de técnico e reformulação de elenco, mas o sufoco acabou. No fim, o clube não fez nada mais que sua obrigação ao continuar na primeira divisão, mas que fique a lição para os próximos anos.

Se não fosse pela torcida, por Hernanes e por uma nítida evolução da equipe em campo, hoje talvez estivéssemos nos lamentando pelo rebaixamento. Não foi fácil torcer para você em 2017, São Paulo, não foi mesmo.


Gazeta Press
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A torcida do São Paulo deu show em todo o Brasileirão