Os dois pesos do Campeonato Paulista para o torcedor do São Paulo

Sábado, 21h. Após empate sem gols contra o Novorizontino no Morumbi, vaias ecoam pelo estádio. Mais cedo, antes da bola rolar, protestos organizados por uma torcida do clube. Nas redes sociais, divisão entre os torcedores apocalípticos desesperados com mais um tropeço no campeonato estadual, enquanto a outra parte, eu incluso, mantinha a calma apesar do resultado ruim jogando em casa. Enfim, o que deseja a torcida do Tricolor no Paulistão? Nem ela sabe, por incrível que pareça.

Sejamos sinceros, a única chance de título do São Paulo na temporada é o Campeonato Paulista, isso porque não disputamos a gloriosa Florida Cup dessa vez. Mesmo com essa possibilidade, ela é pequena e talvez não se concretize porque outras equipes são mais fortes e preparadas para isso. Não estamos prontos para levantar taças depois do fiasco de 2017, esse ano é para reconstrução e preparação do terreno para alçarmos voos mais altos no futuro. Parte da torcida entendeu isso? Não, claro que não, pois prefere o imediatismo.

Como eu disse no texto anterior, ninguém gosta de ver o time tropeçar, principalmente contra equipes menores do Campeonato Paulista. Chega a ser frustrante e isso aconteceu com o São Paulo nas duas primeiras rodadas do torneio. Se olharmos com calma as escalações dos jogos contra São Bento e Novorizontino, veremos equipes cheias de jovens da base - alguns estreando no time profissional -, reservas que retornam de lesões ou empréstimos, mas principalmente jogadores que voltaram a treinar há duas semanas que ainda estão longe da forma física ideal e também da preparação tática necessária. Isso sem contar com Diego Souza e Cueva que entraram em campo com DEZ DIAS de treinos. É muito pouco tempo após um mês de férias!

Apesar de tudo isso citado acima, a corneta soa em alto e bom som nas redes sociais chamando o time de ‘sem vergonha’, ‘fraco’, entre outras coisas. Os resultados não agradaram, então as pessoas perdem a cabeça. Esporte é passional, é normal se irritar quando as coisas não se acertam, mas isso não vai adiantar nada.


Gazeta Press
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O que você deseja, torcedor são-paulino?


A ideia de Dorival em colocar reservas e jovens da base é bem interessante. A temporada será longa, mais uma vez, e ainda em janeiro já temos confrontos grandes contra o Corinthians, pelo Paulista, e contra o Madureira, pela Copa do Brasil, então é importante dar ritmo de jogo aos que buscam maior visibilidade no elenco. Afinal, só assim saberemos quem realmente pode evoluir e estará pronto para ajudar a equipe no restante do ano. Só se descobre um talento quando o coloca para jogo e nem sempre nas situações mais fáceis. Para esses meninos que estão subindo para o profissional, o nervosismo é facilmente notado e isso não é pecado, mas com o tempo eles devem perder o medo.

E de que adianta ganhar e arrasar no Campeonato Paulista? O Tricolor fez isso no ano passado, sob comando de Rogerio Ceni. Venceu a Florida Cup, fez uma boa sequência no estadual, mas no fim do ano brigou para não cair no Brasileirão. Valeu a pena começar a temporada das equipes do interior para depois perder na semifinal do Paulistão? Foi importante para o elenco que rapidamente se desmanchou e que teve dificuldades no restante do ano? Salvou o emprego de Rogério Ceni? Não, né? Então por que o desespero com dois tropeços quando, na verdade, o time deveria estar em pré-temporada? Nesse mesmo dia em 2017, o Tricolor ainda treinava e se preparava para os primeiros jogos.

O elenco do São Paulo pode ser mais fraco que o dos rivais, inclusive abaixo da temporada passada, sim. As contratações foram poucas, mas ainda não entraram em campo pra valer, só quando a torcida encheu a paciência de Dorival. O treinador, aliás, ainda está montando a equipe, vendo quais jovens da base podem ser úteis no futuro e quais merecem um empréstimo, por exemplo. Só nos resta ter paciência, ela é o melhor remédio neste momento.