São Paulo não pode descontar uma década de fracassos nas costas de Diego Aguirre

Diego Aguirre não é um desconhecido no Morumbi. Como jogador, ele passou pelo clube em 1990. As coisas podem ter mudado um tanto de lá pra cá, com três títulos da Libertadores, três Mundiais e quatro conquistas de Brasileirão. A torcida continua a mesma chata de sempre. O clube, apesar das conquistas, vive um momento de instabilidade, com crises constantes e sempre ameaçado pelo pior, o rebaixamento. O mundo gira e cá estamos vendo a volta do uruguaio ao São Paulo.

Aguirre terá muito trabalho para enfrentar no São Paulo. Em suas últimas passagens pelo Brasil, dirigindo Internacional e Atlético-MG, colecionou críticos e fãs. Chegou bem em fases avançadas da Libertadores, muitas vezes jogando bem, mas as eliminações foram traumáticas. Com o Galo, por exemplo, montou um time retrancado demais no Morumbi e perdeu, mas amassou o São Paulo no Independência e foi eliminado por um gol de Maicon ainda no primeiro tempo, apesar da vitória.


Gazeta Press
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Protesto da torcida realizado no último domingo: são-paulinos precisam entender que Aguirre não tem culpa da crise do clube durar tantos anos


Com um time ainda jogando bem abaixo do esperado, o treinador vai precisar ajeitar as coisas. Para piorar, uma organizada decidiu que vai pegar no pé de tudo e todos dentro do clube, com protestos caricatos e reclamações nas redes sociais, além de pedirem nomes bizarros como Dunga e Luxemburgo. Os torcedores comuns já perderam a paciência com tudo há muito tempo. Os jogadores não rendem. A diretoria se omite de todos os casos. Sempre, sempre o treinador será o mais visado.

E não podemos nunca esquecer que o São Paulo teve apenas duas conquistas na última década: o Brasileirão de 2008 e a Sul-Americana de 2012. Finais não fizeram parte do nosso vocabulário recentemente. No Paulista, por exemplo, a última foi em 2003. De lá pra cá, só um título estadual. Mesmo assim, o treinador será o maior culpado se não fizer essa equipe jogar decentemente e cairá imediatamente caso não obtenha os resultados desejados pela maioria.

O São Paulo é, ultimamente, uma máquina de moer bons jogadores e técnicos. Dorival, com sucesso em outros clubes, falhou. Jogadores que decidem lá não fazem o mesmo por aqui. Viramos um sequestrador de talentos, um time que não consegue ser grande e se apequena pelos próprios erros. Antes de cornetar Aguirre, pense que ele não é o primeiro e nem será o último a sofrer por aqui, ele vai precisar de paciência e muito tempo para trabalhar decentemente, fazer seu estilo de jogo ser aceito.

A vida é muito dura para quem dirige o Tricolor do Morumbi.