Com 11 em campo ou com um a menos, o São Paulo foi um verdadeiro gigante no Arroyito

Vou começar o texto de hoje com um pequeno desabafo. Serve para a torcida do São Paulo, mas para as outras também.

Todo ano, sem exceção, uma equipe brasileira é prejudicada em competições da CONMEBOL. Nos últimos anos, nos acostumamos a ver árbitros errando a favor de equipes dos demais países, aqui ou lá, seja na Libertadores ou na Sul-Americana. É um enredo cansativo, mas que sempre acontece. Clubes brasileiros falam grosso na imprensa, reclamam, mas nada acontece. A confederação de futebol do Brasil parece estar confortável com a situação dando pequenos golpes para eleger amigos do presidente na próxima eleição e simplesmente se lixando, para não usar outra palavra, com as equipes daqui. A absurda expulsão de Rodrigo Caio foi só mais um caso que estamos cansados de ver. Os casos de racismo, idem. Não tem alguém com peito na CBF para combater isso? E no São Paulo? Não ria quando seu rival for prejudicado, um dia será a sua vez. Não adiantará engolir o 'choro', cuidado.

Bom, vamos ao texto normal sobre o jogo.

Todo mundo sabia que seria um jogo complicado, mesmo que o Rosario Central seja apenas o 14º no Campeonato Argentino. Isso não é parâmetro para nada, convenhamos, já que o São Paulo também não é mais o bicho-papão de anos anteriores e sofre no seu campeonato nacional. Dito isso, seria em alguma falha adversária que as equipes encontrariam os gols. Não encontraram após os primeiros 90 minutos de batalha.

A expulsão de Rodrigo Caio foi injusta e acabou minando as saídas para o ataque que o São Paulo vinha buscando na primeira etapa. Com isso, foram praticamente 60 minutos de defesa e rebatidas. E o jogo foi basicamente isso. Sendo assim, vou ressaltar alguns pontos importantes e elogiar alguns jogadores que fizeram esse resultado acontecer.

Para começar, o que Arboleda e Militão jogaram foi absurdo. A dupla, principalmente com um a menos, soube segurar bem o ataque. Dois gigantes tirando tudo que vinham pela frente, sem perder a calma e o estilo. Nos momentos certos, os dois jogadores cresceram na equipe depois de alguns jogos ruins no início da temporada. Que não saiam tão cedo, foram dois achados do Tricolor.

Liziero novamente foi bem. Atuou bem como volante saindo para o jogo e acabou um pouco escondido quando substituiu Reinaldo na lateral. Mesmo assim, mostrou personalidade e não se intimidou com a atmosfera de pressão criada no estádio. Atacou bem, defendeu melhor ainda. Made in Cotia, antes que se esqueçam. Outra cria da base que me encantou, com menor intensidade, foi Lucas Fernandes. Mais ligado do que em outras partidas, correu muito, ajudou na marcação e até encarou os adversários. Não foi tão bem com a bola no pé em alguns momentos, mas mostrou para Aguirre que o treinador acertou ao escolhê-lo no lugar de Cueva para entrar em campo.


Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Nenê, mais uma vez, foi o grande destaque do São Paulo em campo


Por fim, Nenê. E aqui vai um mea culpa também. Critiquei Nenê no início do ano, principalmente sua movimentação quase inexistente, sua pouca ajuda na marcação e sua ineficiência ofensiva. Pois é, ele calou minha boca. Jogou muito, segurou a bola como veterano que é, driblou, achou espaços e quase marcou um golaço. Verdade seja dita, seria muito justo pelo que fez na partida. Está merecendo esse gol, aliás, pois vem fazendo bons jogos. Agora, mais recuado, ajuda mais na criação de jogadas. Volta menos e deixa essa função para Tréllez, mas sem problemas. Nenê entendeu que precisava mostrar serviço, algo que não entrou na cabeça de Diego Souza ainda.

Com igualdade de jogadores ou um a menos em campo, o São Paulo foi um gigante na Argentina. O resultado pode não ser o que esperávamos, mas valeu pela dedicação de todos e pela evolução mostrada em campo. O Tricolor hoje tem uma cara, um estilo, um desenho de como deseja atuar. Aguirre desenhou a equipe do seu jeito nas últimas semanas e, o melhor de tudo, é que os jogadores estão comprando essa ideia.

Contra o Rosario, teve raça, bola no pé e um time copeiro. O jogo de volta será traiçoeiro, mas o São Paulo sai do Arroyito com moral, como o verdadeiro gigante do confronto.