O ataque do São Paulo continua um deserto de ideias

O último a chegar foi Éverton. Antes dele, Gonzalo Carneiro tinha sido apresentado com boas credenciais. No início do ano, o dinheiro foi despejado para contratar os duvidosos Tréllez e Diego Souza. No fim, nada mudou, o São Paulo continua a mesma equipe de boa parte da última temporada, com dificuldades para marcar gols e sem muita criatividade ofensiva. Na defesa, Aguirre acertou peças, mas por que o ataque tricolor continua sofrendo tanto?

Enquanto a defesa começa a se acertar taticamente, levando gols em bobeiras ou falhas individuais, o ataque do São Paulo parece ainda com dificuldades. Se não tiver Nenê em campo, o caos parece instaurado. Com outras peças, como Cueva e Diego Souza, há um abismo técnico e uma sensação de pouca vontade que incomoda muitos torcedores. Os pontas parecem sempre engessados, não buscam jogo e muitas vezes ficam presos na marcação adversária. O problema NÃO é de Aguirre, vale dizer, é algo que acompanha o clube há um bom tempo.


Gazeta Press
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Cueva é uma das grandes dores de cabeça do São Paulo


Em muitas contratações recentes, o Tricolor parece ter esquecido que o futebol evolui e muda constantemente, principalmente ao escolher meias. Pensando em jogadores que sabem organizar a equipe ofensivamente, o clube acabou deixando de lembrar que esses mesmos jogadores precisam ajudar na marcação. Sendo assim, atletas ‘preguiçosos’ acabaram ganhando espaço e valendo milhões de reais, mas rendem pouco em campo. Enquanto isso, a base foi colocada de canto e a evolução de jovens jogadores foi cortada.

Hoje vemos alguns meias sem compromisso andando em campo, acima do peso ou já pensando na Copa do Mundo e fugindo da responsabilidade em campo. Quando viu o tamanho da besteira, o Tricolor até buscou outras opções, mas a paciência da torcida já estava no limite. Tréllez não domina uma bola decentemente, então chamaram Carneiro. Diego Souza não tem função e virou um peso morto no elenco, ficando de fora de algumas relações. Cueva está apenas aguardando sua passagem para a Rússia chegar.

Aí o clube vai atrás de reforços. Valdívia, Éverton, Carneiro, Nenê, entre outros. Sem saber como barganhar, paga fortunas por atletas de certa idade ou sem o peso necessário, ou mesmo vai atrás do nome sem olhar o desempenho recente em campo. O ataque do São Paulo continua uma bagunça, sem ameaçar os adversários. Paraná e Ceará, que acabaram de voltar para a primeira divisão, nem se incomodaram muito com todo o poderio do setor ofensivo tricolor que custou milhões de reais e dólares. Com orçamentos infinitamente menores, fizeram jogos razoáveis e os goleiros nem se destacaram. Dois jogos, apenas um gol. Em 27 jogos no ano, somente 24 vezes balançamos as redes rivais.

Vale repetir para não ser xingado, mas a culpa disso não é do pobre Aguirre que chegou há pouco e só teve jogos complicados. Acertou a defesa, agora precisa focar no ataque. A culpa também não era de Dorival, não mesmo, mas de quem contratou esses atletas, de quem os banca após mimos e erros, de quem coloca interesses pessoais e financeiros na frente do clube. Dedos neles, isso sim.