São Paulo e os mesmos problemas: medo de vencer e castigo tardio

O São Paulo tinha tudo nas mãos. Tudo mesmo. Começou o jogo pressionando, buscando a vitória e colocando o time adversário contra a parede. Não tardou e o gol saiu, chorado, suado, mas feito. Militão abriu o placar e depois, convenhamos, o Tricolor paulista sumiu da partida e não incomodou mais o goleiro do Fluminense. O castigo no fim foi dolorido, mas muito merecido.

Vencer fora de casa é, há anos, uma missão muito complicada para o São Paulo. Da forma que jogou a maior parte do primeiro tempo, o time fez parecer que hoje seria possível. Abriu o placar, criou chances e pouco foi ameaçado. É isso que todo torcedor espera de sua equipe, independente do esquema tático ou das peças escolhidas. O time parecia saber o que almejava em campo e fazer o gol, apesar do sufoco na jogada, não foi um desafio tão grande.

O problema do São Paulo quando abre o placar é que a equipe abdica de jogar, deixa o adversário crescer e criar oportunidades e, principalmente, flerta com o perigo. Não é culpa de Aguirre, esse parece um problema que assola o Tricolor há muitos anos, com vários comandantes. Não existe alguém que mande a equipe matar a partida, fazer outro gol, pressionar e nocautear o adversário. Pelo contrário, nós é que acabamos nocauteados no fim, principalmente de raiva pelas chances perdidas e pelos gols bobos sofridos.

Hoje, contra o Fluminense, não foi diferente. O gol sofrido aos 43 minutos do segundo tempo foi um castigo mais do que merecido para uma equipe que deixou o Fluminense pressionar e ameaçar. Foram três bolas na trave de Sidão e por mais que o São Paulo tenha devolvido uma delas, fez muito pouco para merecer um segundo gol.

A verdade é que se você vai recuar e espera matar o jogo no contra-ataque, é preciso velocidade e perfeição nesse tipo de jogada. No Maracanã, o time errou muitos passes em momentos primordiais e teve novamente um Diego Souza omisso no ataque. A sorte dele é que Militão fez aquele gol ou lembraríamos apenas do erro ridículo do atacante ao perder um gol embaixo das traves. Sem conseguir segurar a bola no setor ofensivo, virou presa fácil para os defensores do time carioca. Em poucos minutos em campo, Tréllez incomodou e mostrou muito mais vontade, pelo menos. É nítida a diferença de raça e, por incrível que pareça, também tática e técnica.

Com medo de vencer, novamente o São Paulo leva um gol nos minutos finais e perde uma boa oportunidade. Contra o Corinthians, foi a de chegar na final do Campeonato Paulista. Hoje, desperdiçou uma noite na liderança do campeonato (empatado com o Flamengo). E no próximo jogo, qual será? Perder pontos de bobeira irritam o torcedor que só quer ter o mínimo de empolgação com o Tricolor e esse problema parece bem longe de ser resolvido. Vivemos em loop no Morumbi.


Gazeta Press
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Vocês têm noção de que o Tréllez, hoje, é melhor que o Diego Souza?