Da esperança ao descaso: São Paulo precisa mostrar cartão vermelho para Cueva

Gazeta Press
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Essa pode ser a última imagem de Cueva com a camisa do São Paulo. Que tristeza!



Morumbi, quarta-feira de Sul-Americana. Mais de 33 mil pessoas presentes no estádio acompanham o São Paulo vencendo o Rosario Central por 1 a 0 e se segurando nos minutos finais de jogo. Aos 45 minutos, Nenê consegue cavar uma falta na linha central do campo. Eis que Cueva, já com o jogo parado, acerta as travas da chuteira na altura da cintura de um argentino e acaba expulso. Esse pode ter sido o último ato do camisa 10 pelo Tricolor. De forma melancólica, ele sai do clube depois de parecer a esperança de dias melhores. A porta dos fundos é muito para Cueva se despedir do Morumbi.

Depois da expulsão, já no fim do jogo, Raí declarou que Cueva foi liberado das partidas contra Bahia e Santos para acompanhar o nascimento de seu filho no Peru. Ok, até aí tudo bem, todo mundo tem esse direito. O problema é que Cueva já ficará no país natal por conta da convocação peruana para a Copa do Mundo. Sendo assim, ele não volta para o Tricolor até o Mundial. Como tem um acordo com o clube de que será vendido após o torneio internacional, é bem provável que a expulsão besta de quarta tenha sido seu último momento no time brasileiro.

Contratado em 2016, de surpresa, Cueva parecia uma esperança para a faixa central do São Paulo, principalmente após a saída de Ganso. Na Libertadores, não chamou muito a nossa atenção jogando pelo Toluca e só virou destaque na Copa América porque isolou um pênalti que acabou eliminando sua equipe. Nenhuma credencial especial, mas a carência tricolor fazia crer que ele poderia ser alguém muito importante. E se pararmos para pensar, foi mesmo, com destaque para o clássico contra o Corinthians, quando marcou um gol e deu três assistências.

No último ano, as propostas começaram a surgir. Cueva começou bem a temporada, era a referência técnica da equipe, mas aí tudo descambou. Uma lesão interrompeu sua boa fase. Um vídeo bebendo cerveja antes de um clássico contra o Palmeiras foi engraçadinho no começo, mas depois virou um símbolo de quão descompromissado ele estava com o clube. Não pegou bem. No segundo semestre, foi totalmente ofuscado por Hernanes e chegou a ser barrado em alguns momentos. Entre atrasos e reclamações, fez seu primeiro pedido de desculpas.

No início desse ano, se atrasou para a reapresentação porque queria sair do clube. Tinha uma proposta do futebol chinês, mas o São Paulo quis segurá-lo até, pelo menos, a Copa do Mundo. Fez birra, começou a temporada no banco e aí pediu desculpas após marcar um gol de pênalti. Futebol que é bom, nada. Pensando no Mundial, não colocou o pé em divididas, se poupou ao máximo e perdeu cada vez mais espaço na equipe, principalmente por seu fraco poder de marcação. Contra o Rosario Central, nada tinha feito em campo, mas decidiu aparecer com “raça” já nos acréscimos da partida e fazendo besteira.

A paciência dos dirigentes acabou com Cueva há muito tempo. A da torcida, idem. Hoje, só resta a porta dos fundos do Morumbi e sem deixar saudade alguma. Não interessa para onde o peruano vai após a Copa do Mundo, o mais claro é todos perceberem que o São Paulo não precisa mais dele. De esperança a descompromissado, Cueva perdeu uma oportunidade e tanto na sua carreira.