No sufoco, na raça e com gol do Tréllez: o São Paulo abraçou o improvável para vencer o Vasco

Não foi fácil. Não deveria mesmo ser fácil, mas esse jogo foi maldade com todos os torcedores do São Paulo. Agora, com calma, os pensamentos estão voltando ao normal e posso escrever o texto, mas, no calor do jogo, no estádio lotado, tudo parecia um grande borrão durante os 90 minutos de muita tensão. Hoje, e pelo menos nos próximos dias, o Tricolor será líder do Brasileirão, algo que não acontecia desde 2015.


Era esperado que o São Paulo entrasse em campo meio tenso. No sábado, o Flamengo perdeu para o Grêmio e isso deu a possibilidade de assumir a liderança neste domingo. Seria normal ver o time meio nervoso ou ansioso, mas o gol de Rojas nos primeiros minutos deu uma acalmada. Inocente, no entanto, foi quem pensou que tudo seria tranquilo até o apito final. Com vantagem no placar, o Tricolor ficou esperando o adversário e apostando em saídas rápidas, mas isso pouco aconteceu. O resultado foi um jogo muito abaixo do esperado por todos.


No segundo tempo, logo no início, o Vasco empatou o jogo. Ao meu ver, vacilo da defesa são-paulina, mas muitos amigos presentes no estádio reclamaram de falta no Arboleda no começo da jogada e confesso que não vi. Desesperado, como já tinha acontecido contra o Colón, o São Paulo passou a errar muito e deu espaços para o time visitante criar muitas chances perigosas que poderiam ter causado uma derrota desastrosa para nossa equipe. Por sorte, elas não entraram. Esse foi o primeiro elemento mágico do dia.


Gazeta Press
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Agradeça, São Paulo! Tem que agradecer muito!


As substituições feitas por Aguirre formam a segunda parte encantadora do dia. O treinador tirou os apagados Nenê e Diego Souza para colocar os altos centroavantes Carneiro e Tréllez. A tática parecia bem simples: Rojas e Everton, quando tivessem oportunidades, levantariam a bola na área, apelando para o famoso chuveirinho. Parece pouco, é verdade, mas é uma tática para encarar e furar a forte marcação adversária, o único problema é que já não tinha funcionado na última partida.


Nos últimos minutos, completamente desesperado, o São Paulo voltou a atacar, algo que seria bom fazer desde o início, mesmo com a vantagem no placar. Acuando o Vasco, não conseguia nada. Foi num contra-ataque, sempre ele, que saiu o segundo gol. E aí vale ressaltar o empenho do Tréllez desde o empenho para salvar o complicado passe de Liziero, passando pelo belo passe para Everton, até chegar na finalização para o fundo das redes. Em poucos segundos, ele foi o centroavante que Diego Souza nunca será, brigador e com vontade de decidir a partida. Tréllez pode ser grosso, não ter muita técnica, mas raça nunca parece faltar e isso, nessa partida, foi fundamental.


Não foi, de longe, o jogo mais brilhante do São Paulo. O susto novamente deixou todo mundo em pânico. A equipe teve a liderança nas mãos e esperou perder para acordar diante de um Morumbi lotado. Hoje, os sustos vistos em partidas anteriores quase causaram uma punição maior ao Tricolor. Ainda bem que deu tudo certo, mas a torcida dificilmente chegará viva nesse ritmo.


O importante é que, por pelo menos uma semana, a liderança é do São Paulo. Após a Copa do Mundo, foram 12 pontos em 15 possíveis. A torcida abraçou de vez o time, agora é hora de embalar. No sufoco, na raça e até com gol do Tréllez. O impossível pode continuar nos acompanhando e trazendo alegrias, a gente aceita de braços abertos.