Obrigado, Corinthians! É hora de acabar com a soberba

Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

É, Kardec, não adianta careta para espantar adversário


Depois do tricampeonato brasileiro na última década, o São Paulo adotou o apelido de “soberano”. Era claro que a arrogância explícita no nome traria problemas para o clube e foi isso que aconteceu. Desde então, apenas uma conquista, em um jogo de Sul-Americana que jamais terminou. A empáfia, no entanto, continua enquanto tropeçamos nas próprias pernas e vemos nossos rivais se agigantarem pra cima de um combalido Tricolor. A goleada de 6 a 1 sofrida para um time reserva do Corinthians foi só o castigo final para o São Paulo.

Nunca houve um soberano dentro do Morumbi. As conquistas foram justas, é verdade, apesar de um futebol medíocre ter sido apresentado, principalmente no Brasileirão de 2008. O problema disso tudo é que o São Paulo começou a se achar o melhor do Brasil mesmo quando fazia erros enormes. Virou a referência para coisas boas, mesmo quando o cheiro podre já começava a fincar lá dentro.

A partir de 2009, o São Paulo gastou muito dinheiro com contratações, a maioria delas equivocada. A diretoria do clube pensou que repetiria a fórmula dos anos anteriores contratando desconhecidos baratos e viu que não daria certo. Aí resolveu apelar para nomes conhecidos, caros e que também não renderam o futebol esperado. Não é de se espantar, por exemplo, que o último grande ídolo tricolor (além de Rogério Ceni, é claro) tenha sido Lucas, revelado na base do clube.

Além dos péssimos jogadores, dirigentes horríveis. Em campo não havia vontade de vencer, como não há até hoje, e os bastidores eram tomados por corruptos que queriam apenas acabar com o clube. Manobras políticas, mudanças no estatuto, desvio de dinheiro, brigas e uma crescente diminuição da força do Tricolor. Passamos a virar chacota com os outros, o saco de pancadas nos clássicos, o clube que irrita técnicos por vazar informações. Uma verdadeira bagunça.

Hoje, em novembro de 2015, o São Paulo continua brigando por uma vaga pela Libertadores. Não seria absurdo, porém, dizer que o clube merecia estar brigando para fugir do rebaixamento por todo o caos político, técnico e tático. E digo mais: um rebaixamento não faria mal algum ao São Paulo Futebol Clube. Pelo contrário, traria apenas lições, coisas boas a serem aprendidas e o fim dessa ridícula “soberania”.

Um bom exemplo disso é o Corinthians. Depois de diversos problemas internos e contratações equivocadas, acabou rebaixado para a segunda divisão em 2007. Uma nova gestão, mais moderna, entrou no clube e o resgatou. Contratou bons nomes da Série A e fez apostas pontuais na base. Enquanto fazíamos piadas com os diversos patrocínios na camisa (coisa que o São Paulo não tem há mais de um ano), acumulou uma boa quantia de dinheiro e se planejou para o futuro.

Desde então, o Corinthians conquistou dois Brasileiros, uma Libertadores, um Mundial, uma Copa do Brasil, uma Recopa e dois Paulistas. O Santos, pra utilizar outro exemplo, venceu quatro Paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores. O São Paulo, nesse mesmo período, chegou a apenas duas finais e ganhou uma só.

Não é vergonha admitir que o São Paulo está abaixo dos demais rivais, principalmente nos clássicos. O verdadeiro soberano do Brasil é o Corinthians, que ganha pelo menos um título por ano desde 2008. Por isso, sem medo eu digo: obrigado, Corinthians, por acabar com nossas ilusões e nos dar um banho de realidade! Obrigado, Corinthians, por nos ensinar a ser clube grande dentro e fora de campo.

Para o São Paulo e sua torcida, só resta uma falsa ilusão com a vaga na Libertadores. Hoje, esse seria o pior castigo para o falido e caótico clube. As humilhações, acreditem, ainda não acabaram.