Luís Fabiano, o falso ídolo

“Entre brigar e bater o pênalti, eu prefiro ajudar na briga”


Essa conhecida frase de Luís Fabiano foi dita após a eliminação do São Paulo para o River Plate na Copa Sul-Americana de 2003. Foi um jogo tenso desde o primeiro instante, mas o Tricolor venceu no tempo normal e acabou sendo derrotado nas penalidades sem Luís Fabiano em campo, expulso por ter dado uma voadora em um adversário após o apito final.


Ali nascia o mito de que Luís Fabiano tinha raça.


Érico Leonan / São Paulo FC
Érico Leonan / São Paulo FC

Olha aí o craque dos treinos...


O problema da torcida do São Paulo sempre foi confundir jogador raçudo com jogador burro. Luis Fabiano foi a segunda opção na maioria das vezes que tentou demonstrar raça ou vontade em campo. Não é por acaso que tenha ficado marcado por inúmeras expulsões e cartões amarelos, virando piada até mesmo entre os tricolores.


O atacante, desde sua primeira passagem pelo clube em 2001, mostra sinais de descontrole. Gols, no entanto, ele sabia fazer. Foram muitos entre 2001 e 2004, principalmente na Libertadores de seu último ano pelo Tricolor, quando praticamente levou sozinho o São Paulo para as semifinais. Quando chegou na fase decisiva do torneio, porém, não balançou as redes.


Para piorar, foram duas péssimas apresentações contra o Once Caldas, nenhum gol marcado pelo atacante, um cartão amarelo e uma sofrida eliminação. Esse enredo lhe parece familiar, torcedor são-paulino?


Quando voltou em 2011, Luís Fabiano tinha sido o atacante titular do Brasil na Copa de 2010, jogado em alto nível e um nome que poderia fazer a diferença em um dos piores times que o São Paulo tinha montado na história. Rapidamente, no entanto, se machucou e demorou para estrear. Quando o fez, não teve o mesmo brilho de antes.


Em 2012, porém, o atacante foi bem. Ajudou, e muito, o São Paulo na boa campanha do Brasileirão. Na conquista da Sul-Americana, fez uma boa partida no jogo de volta contra a Universidad de Chile, nas quartas, em um jogo que o Tricolor já entrou com a mão na vaga. Na semifinal, ficou apagado. Na final, foi expulso no jogo de ida e viu de longe o time ser campeão com boas apresentações de Lucas, Oswaldo, Jadson e, acredite se quiser, Willian José.


Em 2013 precisávamos dele, mas a grande ajuda veio de Aloisio, o Boi Bandido. Em 2014, Pato e Kardec nos ajudaram sob a batuta de Kaká. Em 2015, só Pato deu jeito no ataque do São Paulo. Luís Fabiano? Quem?


A sina de Luís Fabiano nesta sua última passagem foi marcada, em sua grande maioria, por gols inúteis, ficar impedido e arrumar cartões completamente desnecessários. Isso quando estava em campo, já que as lesões também o maltrataram. Nas últimas três temporadas, Luís Fabiano foi um arremedo de jogador, com raros momentos que nos fizeram lembrar aquele artilheiro que brilhou no São Paulo. Em 2015, até uma barriguinha era possível notar na camisa justa que o time ostenta em campo.


Luís Fabiano não precisava ter voltado, mas quis e aqui ficou. Pelo que mostrou, porém, não fez falta alguma. Por mais que alguns destaquem seu nome na lista dos maiores artilheiros da história do clube, isso não basta para mim.


Eu, que já cantei seu nome no estádio lá por 2003 e 2004, não faço mais isso há um tempo. Luís Fabiano só tem tirado dinheiro do São Paulo e enganado sua torcida que cegamente ainda canta seu nome.


Na era dos “falsos 9”, Luís Fabiano é o falso ídolo da camisa 9.