Vaga no G-4 recompensa a incompetência do São Paulo

O ano de 2015 do São Paulo foi caótico. Todos os jogadores, técnicos e dirigentes se comprometeram e fizeram besteira em algum momento da temporada. Nada poderia ter dado certo em meio a tanta bagunça, mas, de algum jeito, deu. E da mesma maneira que nos acostumamos a ver o Tricolor: desinteressado, sem vontade, esperando ser recompensado pela sorte.


A sorte, no entanto, não costuma aparecer com frequência, São Paulo. Nos últimos anos, você tem dependido muito dela para fugir de rebaixamento, chegar na Libertadores, avançar de fase e conseguir vitórias minguadas. Uma hora ela acaba, infelizmente. E aí, o que sobra? A nítida visão de que muitos jogadores simplesmente não querem estar vestindo sua camisa, que é hora de mudar. Um resumo do que foi nosso ano.


Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Festa para quem?


E em 2015, em meio a todo o caos, vimos o quanto alguns jogadores claramente não queriam estar no Morumbi. Não vou citar nomes porque a torcida tricolor sabe quem são esses e já até pega no pé dos mesmos com uma certa frequência. Precisamos novamente de jogadores que saibam a grandeza do nosso clube, sem que sejam iludidos por passagens breves e fracassadas na Europa, que honrem nossa camisa desde o primeiro dia. Precisamos de jogadores que saibam do amor do são-paulino por este clube e não façam disso uma piada.


A vitória contra o Goiás chegou e o São Paulo garantiu sua vaga para a Libertadores. Vai jogar a primeira fase, aquele mata-mata maneiro antes de entrar na fase de grupos. Se continuar jogando essa bolinha minúscula, capaz de sequer avançar. Não vou negar que, em silêncio, assisti ao jogo torcendo para o Goiás marcar logo e acabar com nosso sofrimento.


Vendo a situação do clube neste momento, ficar fora da Libertadores seria uma benção para o São Paulo. A grana não seria a mesma? Sim, é verdade, mas ainda é troco de bala se comparado ao rombo financeiro deixado pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Dentro de campo, no entanto, é que seria bom. Se ficasse na quinta posição do Brasileirão, o São Paulo entraria na Copa do Brasil e teria todo o primeiro semestre para se reorganizar com calma, sem a necessidade e a pressão de um torneio continental em meio a uma turbulência que está longe de passar.


Chegar na Libertadores faz a torcida comemorar, sonhar, esperar novos ares. Só que o clube ainda não sabe nem em que chão está pisando, se o mesmo é seguro e confiável. Menos de dois meses do início da competição e ainda não temos treinador, estamos perdendo nosso grande ídolo e jogadores fundamentais e ficando com um catado que mal sabe a história do clube. Não temos um patrocinador para estampar nossa camisa, para nos dar uma ajuda financeira. Um reflexo do que foi é esta bagunça.


Jogadores não querem vir para o clube. Sabem que o clima não é dos melhores, que o dinheiro não nasce nas árvores do CT da Barra Funda. O medo de serem o próximo alvo de uma inconformada torcida também os afasta do clube.


No mesmo ano que perdeu treinadores por problemas de saúde e por burrice de dirigentes, o São Paulo acumulou escândalos, humilhações, vitórias sem sal e contratações sem o menor sentido.


Perdemos dinheiro, dignidade e moral.


Ganhamos, a cada dia, novos problemas.


A vaga na Libertadores, para o São Paulo, é uma recompensa por toda a incompetência acumulada nos últimos anos.


Pior para o torcedor. Sempre.