Por favor, deixem o Lugano em paz!

Quando chegou ao São Paulo, em 2003, Lugano recebeu o apelido de “jogador do presidente”. Foi uma contratação totalmente bancada pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa. Não demorou muito para o uruguaio ser questionado pela torcida, pela imprensa e pelo próprio treinador do clube na época. Quando passou a receber mais chances, impressionou por sua raça, caindo nas graças da torcida.


Ali nascia o Lugano que conhecemos.


Em 2005, o zagueiro foi importante em todos os títulos do Tricolor, uma equipe que não possuía grandes destaques individuais nas posições de linha. Com muita vontade e uma pitada de exagero na violência, ajudou muito no título da Libertadores, superando a catimba e a cara feia dos rivais. No Mundial, apavorou os atacantes do Liverpool.


Pronto, Lugano virou ídolo. Só que rapidamente saiu do São Paulo e foi seguir a carreira na Europa.


Paulo Pinto / São Paulo FC
Paulo Pinto / São Paulo FC

Foi bom te ver de volta ao Morumbi, cara, mas só para um amistoso


Nesse período, o Tricolor teve grandes zagueiros, como Miranda, André Dias e Breno, que muito nos ajudaram nos Brasileirões de 2006, 2007 e 2008. Nossa defesa virou uma muralha. Depois disso, no entanto, zagueiros não tão memoráveis vestiram a camisa do São Paulo e fizeram a torcida pedir a volta de Lugano. Mas será que realmente é a hora da volta dele?


Com 35 anos, o uruguaio tem toda a liderança necessária para ajudar o São Paulo a se reerguer em campo depois de um 2015 horroroso, dentro e fora das quatro linhas. Se chegar, será o novo capitão, ocupando a função que foi de Rogério Ceni até o fim da temporada. Isso, porém, é pouco, muito pouco.


Com idade avançada, será que Lugano renderia o mesmo que rendia há uma década? Precisamos pensar seriamente se ele consegue, hoje, acompanhar os atacantes mais jovens, ter a mesma dinâmica de dez anos atrás. Vir apenas para gritar e dar pancada nos adversários talvez não seja muito.


Isso sem contar que ele está no Cerro Porteño e, convenhamos, o futebol paraguaio não é parâmetro para boas e más apresentações. Antes disso, Lugano saiu desprestigiado do Málaga, passou pelo West Brom - clube modesto da Inglaterra - e saiu sem deixar saudades. Ainda passou pelo desconhecido BK Häcken, da Suécia, e não deu muito certo. Pontos que deveriam ser descontados no caderninho da diretoria são-paulina.


Soluções podem estar no próprio clube. Criticado no início, Rodrigo Caio é quase unanimidade na torcida tricolor, principalmente por seu bom futebol e liderança dentro de campo, sendo elogiado até por Rogério Ceni. Lucão, tão cornetado pelos tricolores, foi colocado numa fria. Vale lembrar que o camisa 30 tem apenas 19 anos e ainda vai aprender muito. Isso sem contar suas boas passagens nas categorias de base.


Saindo do próprio São Paulo, o clube pode buscar opções dentro do futebol brasileiro ou em clubes da América do Sul. O dinheiro é curto, mas pode ser mais bem aproveitado em alguma revelação que tenha futuro dentro do Morumbi, criando uma igual identidade com o Tricolor. Jogador não falta, basta procurar cuidadosamente.


Vale lembrar também dos jogadores que tiveram sucesso no São Paulo e retornaram para passagens fracassadas. Marcelinho Paraíba, Luís Fabiano, Cicinho, Ilsinho, Alex Silva, Juan e Ricardo Oliveira voltaram ao Morumbi. Nenhum deles deu certo. Alguns foram tão apagados que precisamos do Google para lembrar. Podemos citar o exemplo do Kaká que deu certo com sua liderança e participação nos bastidores, mas ficou abaixo do esperado em campo.


Deixem o zagueiro na memória, lembrem de todos os gols, as faltas, a raça em campo, mas não peça sua volta, não deixe que ele se apague sem necessidade. O São Paulo precisa se reerguer, e não voltar para o passado, dependendo de alguém que já teve sua chance e foi muito bem.


Obrigado por tudo, Lugano, mas agora é a vez de outra pessoa. Fique em paz, é tudo que desejo.