São-paulinos, não crucifiquem Rodrigo Caio e Lucão

Meu último texto por aqui foi sobre o Lugano. Defendo que ele não seja contratado pela sua idade avançada e porque podemos criar uma liderança dentro do próprio clube, não buscar uma que já teve sua oportunidade no São Paulo. Muitos discordaram, ok, mas o ódio imenso com Rodrigo Caio e Lucão me fez pensar bastante e acabo escrevendo esse texto. Precisamos falar sobre a defesa tricolor.


Site Oficial / São Paulo FC
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As crias de Cotia ainda podem nos dar muitas alegrias


RODRIGO CAIO é cria de Cotia. Passou pelas categorias de base do Tricolor até subir ao profissional em 2011. Seu primeiro jogo foi, infelizmente, uma goleada sofrida para o Corinthians, onde ele tomou um drible desconcertante durante a partida. O então volante ficou marcado. Aí a torcida decidiu que ele não tinha “nome de jogador”, queimando rapidamente uma das grandes promessas do clube.


Ninguém se lembrava de que era apenas um menino de 17 anos.


Depois de um tempo na geladeira, atuando em poucas oportunidades, voltou ao time no ano seguinte e ficou lembrado pelo “desarme do escorpião” contra o Neymar, jogando na lateral. Em 2013, porém, foi para a zaga e se firmou no time do São Paulo. Me arrisco a dizer que foi um dos grandes responsáveis por evitar o rebaixamento daquele ano, ao lado de Aloísio Boi Bandido e Ganso, chamando a responsabilidade em muitos momentos e fazendo ótimas partidas. Foi também o capitão do Brasil sub-20.


Isso era pouco para a chata torcida do São Paulo.


Quase não jogou na última temporada por conta de uma lesão e voltou esse ano, mais uma vez ajudando demais o setor defensivo do Tricolor. Se não foi o pilar da defesa do São Paulo, ninguém mais foi. Ganhou elogios do Rogério Ceni, que disse ver um futuro capitão do time no zagueiro.


Lucas Cavalcante Silva Afonso, o LUCÃO, é outro jovem que saiu da base tricolor. Também passou por seleções sub-17, sub-20 e sub-23 e tem apenas 19 anos. É isso que grande parte da torcida se esquece, principalmente porque ele está no time profissional há quase dois anos.


Lucão não é ruim, não mesmo, mas precisamos lembrar que ele pulou muitos passos na carreira. Faltou uma sequência na base antes de ser imediatamente elevado ao profissional, onde se espera que o jogador tenha um conhecimento pleno das coisas. Não foi bem preparado e já estava lá, tendo que resolver todos os problemas que surgiam.


Se o zagueiro número 30 não fez uma temporada 2014 ruim, caiu em desgraça em 2015. Com muitas trocas de técnicos, falhou muito, prejudicou o São Paulo em diversas oportunidades, mas continuou firme e forte. Só caiu depois da partida contra o Figueirense, quando foi vaiado durante os 90 minutos. Normal, ser jovem e perseguido não é fácil, mas a torcida é tão impaciente quanto aqueles que o subiram apressadamente para o time profissional.


E não se enganem, ser zagueiro é complicado em qualquer idade, não é tão fácil como ser um atacante de 18/19 anos no time profissional. No ataque, se a bola não chegar é porque os meias não funcionaram. Na defesa, se ela não chegar é porque os volantes foram bem. No ataque, se a bola chegar e você errar, acontece. Na defesa, é um atestado de incompetência.


Antes de gritarem raivosamente pela contratação de Lugano ou Buffarini, aquele que todos só viram nas duas partidas da Libertadores e agora consideram um craque, pensem bem na defesa que temos. E não se esqueçam que teremos a volta do Breno em 2016, que já passou por esse difícil caminho e pode ajudar muito a atual dupla de defesa do Tricolor.


Não crucifiquem Rodrigo Caio e Lucão, talvez eles façam falta no futuro e nós vamos chorar com peso na consciência.