Muitas perguntas e poucas certezas no São Paulo

O ano de 2016 será, com certeza, um dos mais diferentes para o São Paulo. Mudanças, novidades, manutenções, esperança e descrença são coisas que vão causar questionamentos no torcedor tricolor. Da perda de Rogério Ceni à contratação de alguns desconhecidos, passando pela volta de Lugano, vamos ver o que será tão diferente nesta temporada que começa neste sábado, dia 30, contra o Red Bull Brasil.

Neste ano, teremos quatro chances de conquistarmos algum título (Campeonato Paulista, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil). Esperança nunca falta, talvez porque sejamos confiantes demais ou um tanto iludidos. Fácil não será. Apesar de um rival ter se desmantelado, outros se reforçaram bem, assim como outros clubes do futebol brasileiro. 


Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Quem vai se destacar no Tricolor em 2016?


Enfim, vamos para as perguntas:


Como o time vai agir sem a presença de Rogério Ceni?


Complicado. Nos últimos anos, o ex-goleiro deu palpites em quase tudo no São Paulo, inclusive sobre a chegada de alguns atletas. Sem ele no vestiário e em campo, o time deve ter uma nova postura, até porque nem todo mundo é igual. Se o camisa 01 era quem chamava a responsabilidade, cobrava os atletas e os incentivava, essa tarefa não pode ficar sem dono. Lugano voltou e pode ser bem útil nessa função, mas, enquanto não estreia, outros jogadores podem ser responsáveis pela nova liderança do grupo, como Rodrigo Caio, Thiago Mendes e Alan Kardec. Alguém para acordar o time será fundamental, um novo 2015 – apático e sem interesse – não será tolerado pela torcida.


O elenco será preguiçoso e sonolento como 2015?


Apesar da manutenção da maioria dos jogadores e a chegada de alguns poucos reforços, o time não deve ser como na última temporada por alguns motivos: 1) a torcida não vai admitir; 2) os jogadores não têm mais desculpas para atuarem de forma sonolenta; 3) temos a obrigação de levantar um troféu nessa temporada, principalmente com torneios importantes sendo disputados;


Como será a equipe com Edgardo Bauza?


Novo técnico, novas táticas, novo padrão de jogo e esperança renovada. Bauza foi uma surpresa quando anunciado, mas encheu a torcida de sonhos, principalmente por ter dois títulos de Libertadores com equipes sem craques (LDU em 2008 e San Lorenzo em 2014). Já se falou muito de seu foco na defesa, um problema que incomodou muito os tricolores na última temporada. Se conseguir ajustar também os outros setores - e, para isso, peço calma com ele -, deve montar uma equipe competitiva. E não esperem, de forma alguma, que ele seja parecido com o Osorio.


Sobre os nossos meias: Ganso vai finalmente acordar? E o Michel Bastos vai voltar a jogar bem?


A questão do Ganso é algo que tentamos responder desde que ele chegou ao São Paulo, em 2012. O camisa 10 tenta, desde então, ser o grande criador das jogadas do time, mas muitas vezes desaparece em campo, principalmente em clássicos ou jogos decisivos. Não foram poucas as vezes que a torcida pegou no seu pé (na maioria com razão). Sobre Michel Bastos, esperamos que a dengue tenha passado e ele volte a jogar bem. Preguiçoso e perseguido pelas arquibancadas do Morumbi em 2015, principalmente no segundo semestre, Michel ficou devendo mesmo. A esperança é de que acorde, volte a jogar em alto nível e reconquiste a confiança de todos.


O que esperar dos reforços?


Não vamos de falar de valores, mas de importância dentro e fora de campo. Lugano não deve ser tão bom dentro de campo, principalmente pela idade, mas será útil por sua liderança e vontade de vestir a camisa. Não esperem muito dele. Mena é uma incógnita, pois não agradou ninguém no Santos e no Cruzeiro, mas não deixa de ser convocado no Chile. Algo tem aí e só vamos descobrir quando os jogos começarem. Kieza vem para ser reserva de Kardec e Calleri, só isso. Por falar em Calleri, o argentino deve ser a grata surpresa do time na Libertadores. O atacante é muito bom e pode ajudar Alan Kardec no comando do ataque. Ótima contratação, mesmo que dure apenas 6 meses. Se renovar até o fim do ano, será uma jogada de mestre da diretoria do São Paulo.


Alguma chance de título em 2016?


Um Campeonato Paulista, talvez. Nas outras competições, será mais difícil, mas não custa sonhar. Libertadores, podem esquecer, acho bem complicado o tetracampeonato pintar agora.


Nossa diretoria deixará o clube em paz?


Esperamos que sim. Sem mais negociações polêmicas, confusões com comissões, atrasos de salários e outros tantos problemas que nos atrapalham em 2015. Que seja tudo diferente a partir de agora!