Os 23 (e o 2-3-3-2) de Sampaoli

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Isso é um 2 ou é um 3?


Não se sabia se Paulo Dybala estaria na lista final dos 23 jogadores convocados por Jorge Sampaoli para a Copa 2018, por isso imaginei duas possibilidades para esse post pós-lista. Caso o meia-atacante da Juventus não fosse convocado teria o tradicional viés de corneta. Como pode passar por aquela careca que um talento de tal magnitude não possa ser útil? Caso fosse, como foi, seria um brinde ao reconhecimento de que o talento vem em primeiro lugar e a tática se constrói em torno do talento e não o contrário.


Mas com o Sampaoli não existe isso de ter só duas possibilidades. Preto e branco. Ying e Yang. Alfa e Ômega. Comer aqui ou levar pra casa? Não parecem existir dualidades triviais em seu mundo, nada pode ser tão simples, nem sequer uma empanada de jamón y queso. A dele deve ter orégano. Ou tomate. Mas imaginar duas possibilidades para um post que vinha logo após a convocação e a entrevista coletiva não foi meu primeiro erro neste blog. Foi ingenuamente cogitar que ele pudesse ser pragmático, algo que foi dinamitado logo após o anúncio dos 23.


Quando perguntado se já havia pensado em um esquema tático para o time que estreia em Moscou contra a Islândia no próximo dia 16, o técnico da Argentina respondeu que tem em mente um ultra-ofensivo 2-3-3-2, o que faz quem ler o título deste texto aí em cima pensar: “mas esse cara ta falando da Seleção Argentina ou ta ligando pra pedir pizza?” A chave do esquema parece ser o primeiro 3, que teria o volante encarregado da saída de bola e os dois laterais. Mercado-Biglia-Rojo seria um exemplo, tão provável quanto Salvio-Lo Celso-Tagliafico. Vai entender a cabeça do nosso querido DT.


O fato é que a temperatura nos comentários dos principais portais de notícias argentinos minutos depois da divulgação dos convocados proporcionou frases do tipo “com esse esquema a Islândia vai meter 4” ou “desse jeito até a seleção de Ruanda é capaz de ganhar da gente”. São cornetas sinceras, tipicamente argentinas e com as quais eu me identifico 100%. Trata-se de um esquema parecido com o que foi usado no fatídico amistoso em Madri, que tem suas virtudes principalmente no controle da posse de bola, marca registrada das favoritas Alemanha e Espanha, mas que quando não é bem assimilado por seus operários e sem talento para executá-lo do meio para trás, tem-se a nítida impressão que aqueles corneteiros bem-humorados tem um ponto.


São 25 dias até o primeiro jogo. Tenho tempo de sobra pra falar porque acho que o Dybala deveria ser inclusive titular. Ou como o fato do Higuaín ser o único 9 de ofício me incomoda e incomoda a todos que gostam de ver.... bem.... ver..... gols. Você, querido Sampa, não tem um segundo a desperdiçar caso não queira fazer o mesmo papelão que o seu mentor fez em 2002.


El otro Carlitos