Perto do povo, mais perto da realidade

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Lionel Messi é observado pelo público, crianças em sua maioria, que compareceu ao estádio do Huracán, no último domingo, 27.

Em 2016, a AFA viveu seu momento de maior desorganização como entidade máxima do futebol argentino. A nível de clubes, o vácuo de poder deixado pela morte de um dos maiores gângsters da história do futebol sulamericano (não é à toa que Grondona era chamado Dón Julio) acabou sendo benéfico e culminou na formação da SAF (Superliga Argentina de Fútbol), que no início de maio teve o Boca Juniors como seu primeiro campeão.


Em relação à seleção nacional, os problemas eram, à epoca, inimagináveis para uma equipe de tamanho peso histórico. Já imaginou Messi, Di María, Mascherano e todo o elenco parados em uma sala de embarque de um aeroporto nos EUA em plena disputa de uma Copa América, sem saber para onde iriam? Ou quando? Ou em qual avião? Aconteceu. Já imaginou um time, bicampeão olímpico, há uma semana do início de uma Olimpíada não saber quais seriam seus jogadores por falta de diálogo entre a instituição e os clubes argentinos e europeus? Que seu técnico tenha se demitido menos de um mês antes dos Jogos por não se ver em condições de trabalhar diante de inacreditáveis e inaceitáveis problemas? Também aconteceu.


Desde então a nova (???) AFA, comandada por Chiqui Tapia (não é só no Brasil que o sindicato de caminhoneiros tem poder!) tem tentado se desvencilhar da imagem dos últimos anos. Do ponto de vista social e humanitário, o evento promovido no último domingo, no estádio do Huracán, é um acerto que há muito não se via por parte da entidade.


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Messi e Agüero participam de ação social em meio ao treino aberto da Seleção Argentina.


O treino aberto à população, com público constituído em sua maior parte por crianças carentes e/ou com necessidades especiais é uma aproximação da Seleção Argentina ao povo da qual um adolescente de 18, 19 anos, por exemplo, nunca havia tido a oportunidade de participar. Engajados, os jogadores se preocuparam em dar espetáculos de habilidade e pacientemente atenderam incontáveis pedidos por autógrafos e fotos com o público presente.


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Lionel Messi é seguido por Willy Caballero (e não Armani) ao adentrar o gramado de La Bombonera para o amistoso contra o Haiti.


O último passo na direção da reaproximação com o povo foi dado na última terça, no amistoso contra o Haiti em La Bombonera. O adversário foi escolhido à dedo para não representar nenhum tipo de ameaça à ocasião. Messi esteve em campo durante os 90 minutos e seus três gols (Agüero completou o 4-0) deram à todos, torcida e AFA, a despedida desejada.


Do ponto de vista do futebol jogado, muito pouco se aproveita contra um adversário tão limitado, mas há indícios que Sampaoli tenha aproximado seu time da realidade. Suas ideias mirabolantes de jogo deram lugar a um pé-no-chão 4-2-3-1, com Caballero (eu não disse que a dúvida existe?), Salvio, Otamendi, Fazio e Tagliafico; Mascherano e Lo Celso; Lanzini, Messi e di Maria; Higuaín. Mercado na lateral direita, Rojo na lateral esquerda e Biglia no lugar de Mascherano poderiam ser outras opções caso não estivessem voltando de lesões e Sampaoli indica que estas serão as posições onde ele fará o maior número de testes até a Copa. Ansaldi, por jogar nas duas laterais, é outro nome que pode ser considerado no amistoso contra Israel no próximo dia 9.


No mais, o de sempre. Higuaín não sabe fazer gols quando a faixa da camisa é azul celeste. Nem lisa, nem degradê e nem agora com os quadradinhos 8bit. Se for celeste, a bola não entra. A má vontade com Dybala, que sequer entrou. Pavón caindo pela esquerda e cruzando para quem vem de trás marcar, como se estivesse em La Bombonera. E estava.


E por último, Chiqui, tudo muito certo, tudo muito bonito. O que não significa que vamos tirar os olhos de você. Problemas com avião acho que os jogadores não terão dessa vez. Viram que luxo?


El otro Carlitos