Os azares da Copa do Mundo - Parte I

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Único momento da partida em que o time argentino se mostrou organizado.


Quando se refere aos insucessos de Zico em Copas do Mundo, o jornalista Fernando Calazans costuma dizer: “Zico nunca ganhou a Copa do Mundo? Azar da Copa do Mundo!”. Hoje, Messi deu todos os indicativos de que acelera em linha reta e sem freio para ser mais um dos “azares” da Copa do Mundo.


O semblante do craque durante e depois da cobrança do pênalti que acabou definindo o empate por 1 a 1 entre Argentina e Islândia pela primeira rodada do Grupo D da Copa 2018 deixa claro que foi lhe dado um peso tão grande dessa vez, que ele deveria cobrar por excesso de bagagem. Além de carregar o time argentino nas costas como vem fazendo desde 2010, dessa vez lhe incumbiram de carregar o time mais bagunçado que já disputou uma Copa do Mundo trajando as cores azul celeste e branca. Nesse contexto, jogar todo de preto não poderia fazer mais sentido.


Rojo não deve ter mais do que dez partidas atuando como zagueiro (se é que tinha alguma antes de hoje). Pode-se dizer o mesmo do meia Salvio como lateral-direito. Di Maria e Meza isolados rente às placas de publicidade, oferecendo nada mais que um toque de bola burocrático. Biglia muito longe da consistência que arrumou o time de 2014 no caminho até a final. Encaixotado no meio dos bravos islandeses, Messi recebia passes muito curtos, a bola rolava dois ou três metros até chegar a seus pés, quase que com um carimbo: “resolve essa pra nós, maestro!”


Triangulações eram inexistentes e apenas após a entrada de Pavón passaram a existir ainda que tímida e descoordenadamente. Sem nenhuma capacidade de construção ofensiva dos argentinos, a muralha de gelo do goleiro-cineasta Halldórsson só foi vazada em um lance fortuito, uma bola que achou Agüero, que teve muito mérito em aproveitar a única chance que teve em toda a partida.


E o que dizer da equipe (que equipe?) sem a bola? Nem no time desorientado de Maradona em 2010 naquele 4x0 para a Alemanha, o torcedor argentino viu tamanha bagunça. O pior só não aconteceu porque Mascherano, aos 34 anos e com fôlego extra-terrestre, foi o melhor em campo, entre os homens de preto e minimizou a bateção de cabeças nos momentos defensivos. Talvez, os islandeses merecessem até mais que um gol.


Não sei dizer se foi realmente o poeta francês Jean Cocteau quem disse “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Mas, me parece que dessa vez, Messi sabe que é impossível. E se ele realmente chegou à essa conclusão, como pareceu nos minutos finais da estréia, a Seleção Argentina estará em um avião rumo à Ezeiza já na próxima sexta-feira.


Esperemos que não. Esperemos que possamos admirar o melhor jogador do Mundo no maior palco do futebol por mais que os próximos 180 minutos. Desconfio que se ele for embora tão cedo, em um futuro próximo, o que mais desejaremos será ter um DeLorean e 1,21 giga-Watts de potência.


==>CONTINUA<== (esse link aí do lado mesmo)


El otro Carlitos