Antes de Tite assumir, faltavam 2 minutos para a meia-noite

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Tite parece dizer 'Calma Ney' e Neymar parece responder 'Calma o carai'


Recentemente, cientistas [malucos] adiantaram o Doomsday Clock e esse famoso vaidarmerdômetro passou a marcar dois minutos para meia noite pela primeira vez desde a Guerra Fria. Mais precisamente, a coisa não ficava tão preta assim para a humanidade desde a Crise dos Mísseis em Cuba, ocasião em que estivemos a um passo da Guerra Nuclear.


O tal Doomsday Clock, que em tradução livre joelsantanesca, seria algo como Relógio do Apocalipse, é um experimento, um relógio simbólico mantido desde 1947 pelo Bulletin of the Atomic Scientists da Universidade de Chicago. A premissa do relógio é considerar que a raça humana está a "minutos para a meia-noite", e que essa meia-noite é a sua destruição por uma guerra termonuclear.


[Antes de avançar, uma pequena, mas necessária digressão: aproveite essa pausa para colocar 2 Minutes To Midnight do Iron Maiden para tocar e desfrute melhor sua leitura. Voltemos ao texto.]


O motivo do avanço dos ponteiros e do sobressalto é a instabilidade do Governo dos Estados Unidos e o recrudescimento das tensões em todo o mundo, sem falar nos testes nucleares da Coreia do Norte sob o rufar dos tambores da guerra e das pirocas renitentes de alguns líderes mundiais batendo sobre suas mesas: mais do mesmo, nada de novo no front.


Só espero que esse mundo não acabe antes do hexa. Aliás, vale lembrar que o Relógio do Juízo Final da Seleção Brasileira andou adiantado até demais para o meu gosto nos últimos anos.


Fazendo aqui uma reconstrução, a gente chegou muito perto da aniquilação no dia 8 e julho de 2014, data do fatídico e inexplicável 7 a 1, ali o Doomsday Clock Canarinho marcou cinco minutos para a meia-noite fácil.


Nesse caso, entenda-se meia-noite como o ocaso, o fim do futebol brasileiro, que parecia que desabaria sob o peso da própria gravidade (as lágrimas do menino) como acontece com algumas estrelas. O resultado é sempre transformador e, para o bem ou para o mal, aquele astro nunca mais poderá ser o mesmo de antes.


Já no jogo seguinte, a coisa parecia que ficaria ainda pior, em 12 de julho de 2014, perdemos de três a zero para a Holanda, e a crise parecia ser irreversível: quatro minutos para a meia noite era o que o relógio marcava, sem menção honrosa, sem massagem.


Saiu o Felipão e voltou o Dunga, mas a confiança havia nos abandonado quase por completo. Praticamente sem esperança e sem renovação, fomos para uma Copa América (2015) perder para a Colômbia (1 a 0) e ser eliminados pelo Paraguai nas quartas de final, de novo e de novo nos pênaltis: eu apostaria em três  minutos e meio para a meia-noite sendo bastante otimista e buscando forças de onde realmente não havia.


E os caras ainda inventaram outra Copa América (2016), sob o pretexto de se comemorar o centenário da competição, mas certamente a justificativa (de alguma mente diabólica) era ver o quanto mais a gente conseguiria afundar. E o Brasil conseguiu a proeza de não se classificar num grupo que tinha Haiti, Peru e Equador, pobre futebol brasileiro.


Esse talvez tenha sido o pior momento da vida do torcedor brasileiro. Dois  minutos para a meia-noite, fora o baile. A gente sabia que uma renovação de verdade estava muito longe de acontecer. O jeito era se acostumar a passar o resto da vida num bunker, num abrigo nuclear qualquer, esperando pelo barulho das explosões e pelas cebolas. No fim de todas as coisas, além da saudade e dos escombros, só restariam as baratas e o clubismo, pois esse nunca acabará, acreditem.


No meio dessa crise, quiçá a maior que enfrentamos, veio a notícia de que Dunga não era mais o técnico da Seleção, que grande alívio. Melhor ainda, o novo treinador seria Adenor Leonardo Bachi, o TITE. Uma das primeiras decisões de Tite foi dizer que não treinaria a Seleção Olímpica que tentaria a então inédita Medalha de Ouro. “Vou treinar a Seleção Principal, que é o que realmente interessa”, disse ele que deixou a base se virar com Micale, assim disse que seria e assim foi.


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Ensina, Adenor.


O fato é que isso talvez tenha contribuído para tirar um pouco do peso e a responsabilidade da Seleção Olímpica comandada por Neymar e deu no que deu: final contra a Alemanha e Medalha de Ouro inédita no peito, mas tinha torcedor com o freio de mão da empolgação ainda puxado, por exemplo eu. E daí que o relógio voltou a marcar oito minutos para a meia noite? Cansei de me iludir.


Contudo, nas Eliminatórias, Adenor abateu adversários grandes e pequenos um após o outro e alcançou a marca maravilhosa de 9 vitórias seguidas, 27 pontos que tiraram o Brasil do sufoco e o colocaram na liderança, merecida, da competição. Foi a primeira vez que nosso Doomsday Clock verde e amarelo viu a luz do dia, pois a empolgação era tamanha que pelas minhas contas ficaram faltando, no mínimo, umas doze horas para a meia-noite, haja protetor solar para tanto brilho.


O importante agora é manter o foco. Não descuidar até o fm. Temos que monitorar o risco constantemente. Hoje falta menos que ontem para o amanhã e a Copa do Mundo é logo ali. Vamos extirpar de uma vez por todas os fantasmas, o medo e ameaça na Rússia. As outras seleções estão se cagando de medo do futebol brasileiro como deve ser.


Tudo graças a você, Adenor.


Obrigado por tudo: puta aula de professoragem.


É por isso que eu acho que na política internacional os ânimos vão esfriar novamente e voltaremos àquela calmaria do início da década de 90 que foi quando o Doomsday Clock deu sossego para todo mundo. Não percam a fé e não duvidem, pois se o jogo virou para aquela Seleção horrorosa do Dunga, a paz mundial é logo ali, já é uma realidade palpável.