Os 11 melhores e os 11 piores que vi com a camisa da Seleção

Getty Images
Getty Images

Alguns dos caras citados estão nesse timaço de 2006


Ano passado, completei 40 anos. Nasci sob os augúrios do TRI, nas vésperas do mundial de 1978 do qual nada me recordo. As lembranças de minha primeira Copa do Mundo me foram levadas pelo fenômeno da amnésia infantil, lamentável.


Pouco mais de um mês antes do meu nascimento, o Brasil enfrentou o Milan da Itália no Maracanã, e venceu por 3 a 0 (gols de Zico, Rivelino e Serginho) com a seguinte formação:


Leão, Orlando Lelé, Abel, Amaral e Edinho, Toninho Cerezo, Zico, Rivelino e Wilsinho; Reinaldo e Dirceu.


Como é natural, entretando, minha primeira memória, de fato, da Seleção é de alguns anos mais adiante, da Copa de 1982. Hoje em dia não saberia dizer se é uma memória real ou uma lembrança implantada, aqui e ali, conversando, lendo e vendo os VT's da época, no melhor estilo Total Recall de Philip K. Dick.


Em todo caso, me pesa uma esfumaçada lembrança, presa em algum rincão quase inacessível da memória, da chamada Tragédia de Sarriá, do trauma que o filhadamãe do Paolo Rossi nos impingiu naquela Copa do Mundo.


De 1985 para frente, incluindo, claro, a nova desilusão na Copa de 1986, lembro-me de tudo muito bem. Do título da Copa América de 1989 até a redenção completa com o TETRA em 1994, eu vi tudo, colecionei cada álbum de figurinhas, reclamei as ausências e cornetei as escolhas de cada convocação. Respeitem a minha história.


Podem chamar os seis parágrafos anteriores de introdução, mas na verdade ele são uma carteirada, o falo em riste na mesa que garante meu lugar de fala para o tema proposto nesta coluna no dia de hoje, a saber, escalar (porque sim, porque eu quero), duas seleções, uma formada com o melhor, com a nata, dos atletas que eu vi defendendo a Seleção e outra com o pior, com o mais bizarro e abjeto material humano que envergou a amarelinha. Preparem-se.


O critério utilizado nas escolhas, além dos já citados (porque sim e porque eu quero), será privilegiar o jogador que não sentiu o peso a camisa do Brasil, aquele que jogou tudo que sabia e podia envergando a amarelinha. A conquista de títulos será considerado um diferencial.


No gol, dos que eu vi jogar, ninguém foi maior que TAFFAREL. Até hoje me pego gritando Taffareeeeeel sempre que eu defendo um pênalti imaginário ou espalmo uma bola, o que acontece toda hora, praticamente. Taffarel é um símbolo do ressurgimento do futebol brasileiro.


Na lateral direita, com a 2 e com a faixa é o CAFU, líder, física e tecnicamente impecável, alto nível, jogou três finais de Copa do Mundo seguidas, um ídolo.


A camisa 4 é do RICARDO ROCHA, muito técnico, liderança natural e só não levantou a taça no Tetra devido a uma lesão, mesmo assim foi com o grupo até o final e foi um dos comandantes daquele grupo campeão de 1994.


A camiseta número 3 eu vou distribuir para o ALDAIR.


Vou jogar com apenas um volante e será o DUNGA, camisa número 5.


Na lateral esquerda, meu camisa 6 será o ROBERTO CARLOS.


Um meio campo altamente criativo com ZICO 10, SÓCRATES 8 e RONALDINHO com a camisa 7.


No ataque ROMÁRIO 11 e RONALDO, The Phenomenon, camisa 9.


Que as novas potências do futebol moderno tremam à idéia desses 11 caras perfilados com suas impolutas camisas amarelinhas de numeração clássica para dentro de seus calções curtinhos, seus meiões na altura correta e suas chuteiras negras.


O time reserva que joga o coletivo de igual para igual vem com Marcos, Jorginho, Lúcio, Juan e Marcelo; Júnior, Kaká, Raí, Rivaldo, Bebeto e Careca.


O técnico seria o mestre TELÊ SANTANA e o terceiro goleiro, aquele que vai só para pegar o Gatorade, o DIDA.


Agora, se preparem: vem aí aquela escalação da Seleção Brasileira que apenas a escatologia poderia reunir com contribuições de diversas convocações reais que nos obrigaram a ver certos craques vestir a amarelinha.


Preparados? Então toma:


01 – Alex Muralha
02 – Zé Carlos
03 – Fábio Bilica
04 – Gladstone
06 – Juan Marrentinho
05 – Mozart Anjinho
07 – Leomar
08 – Dudu Cearense
10 – Ramón
09 – Afonso Alves
11 – Carlos Eduardo


Téc. Leão.


Por fim, deixo uma importante advertência: para o exercício aqui proposto dar certo, temos que imaginar a Seleção dos Melhores com todos em seu auge e a Seleção dos Piores com todos em seu pior momento, até porque se colocarmos as duas para jogar em condições naturais a Seleção Canarinho Bizarra venceria fácil.


Seria 2 a 1 para a Seleção Bizarra com gols de Carlos Eduardo e Afonso Alves, aproveitando uma falha de Roberto Carlos que ajeitava o meião enquanto Leomar cobrava uma falta na área. Aos 45’ do segundo tempo o Muralha pularia para a direita e ainda defenderia um pênalti cobrado pelo Zico, eu seria capaz de apostar.