Rússia 0 x 3 Brasil: Foi lindo te conhecer, Lujnikão!

Como foi bom ver a nossa Seleção no gramado do lindo estádio da final da Copa, o Lujniki Stadium, também conhecido como (se preparem que vou gastar todo o meu russo agora), Lujnikão, no original Лужники.

Estádio novo, bola nova, uniformes novos, gramado novo: velha mania do torcedor de achar que o Brasil precisa dar show sempre. Teve gente reclamando ao final do primeiro tempo! Cambada de infiéis...

Mas me adiantei no comentário sobre o jogo. O que eu queria dizer, antes, é que esse cenário com tudo novinho em folha me lembrou de um Interclasses que joguei em 1994, naqueles bons e saudosos tempos em que um real valia um dólar (um Itamar valia exatamente um Clinton. Que época pica!). Todo mundo com uniforme novo, bola nova, só a quadra que era a velha quadra de sempre, tão velha quanto a nossa vontade de jogar e falar de futebol, que não passa nunca.

Hoje o Brasil começou o jogo no passinho do Felipe Menezes: devagar, mas com autoridade. Os russos armaram uma retranca tão grande que lá pelos 20 minutos do primeiro tempo eu abri o Google para conferir se o técnico deles não era o Joel Santana ou o Celso Roth. Carpegianni, é você, meu filho?

Não se via uma defesa russa tão irredutível desde que os alemães invadiram o solo sagrado da Mãe Rússia e sitiaram Stalingrado em 1942, essa é que é a verdade. A marcação dos tomadores de vodka estava encaixadinha demais. Na hora, bateu uma solidão imensa em nós, pobres e solitários 200 milhões e uns quebrados de brasileirinhos. Solidão que só o principal desses quebrados (com perdão do trocadilho maravilhoso) poderia resolver, o nosso menino Neymar.

Para completar, lá pelas tantas um russo chegou com tudo no Gabriel Jesus. Ainda bem que foi só um susto, pois o Gabriel, mesmo fora de ritmo, é comprovadamente um desses raros jogadores que não sentem a camisa amarelinha da seleção pesar sobre seus ombros.

O Brasil é um time paciente que toca a bola e tem um padrão de jogo definido. Torcedor brasileiro é um tipo impaciente que lança seus amendoins e também tem um padrão de jogo definido: xingar até sair o primeiro gol.

Nosso complexo de vira-latas pode ter ficado uns anos adormecido enquanto a gente ganhava o pentacampeonato. Mas de uns sete-a-uns pra cá ele voltou com tudo. Basta um primeiro tempo ruim, da melhor seleção entre todas nas eliminatórias, para essa geração, que nunca viu uma bola de capotão, começar a se desesperar e dizer que seleção boa é a da Argentina, aquela que se classificou na bacia das almas praticamente na última chance que teve.

Imaginem que os ultramoderninhos estavam criticando até o nosso centroavante, o nosso matador, o nosso artilheiro Paulinho, o falso 15. É muita heresia falar mal do Paulinho, ainda mais quando vem dessa turma que cansa de elogiar mbappés, démbelés e benzemas da vida. Lamentável.

O Brasil voltou para o segundo tempo com outra disposição. Parecia o mascote do País de Gales (entendedores entenderão). Douglas Costa parecia um Neymar pela esquerda, Coutinho se mostrando um jogador maduro, fundamental.

Nessa altura eu quase me juntei aos ultramoderninhos, pois o Paulinho começou a provar que poderia perfeitamente desempenhar a função de cone que o Fred desempenhou na última Copa do Mundo. Little Paul começou a perder um gol atrás do outro. Ele é tão versátil que consegue perder gols em vários estilos diferentes, ora Dourado, ora Kazin, ora Deivid, que jogador completo.

A verdade é que não deu nem tempo para xingar muito depois disso, pois em questão de minutos o Brasil, que já vinha o segundo tempo inteiro martelando o martelão, foi possuído pelo ritmo ragatanga e passou o trator (entendedores entenderão de novo) em cima dos indefesos anfitriões filhos de Putin.


CBF
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Os gols vieram dos jogadores certos:

No primeiro, gostei muito de ver o Miranda marcando. Um zagueiro firme, confiável e principalmente sem risadinha, que devolveu o respeito à zaga da seleção brasileira. Muito merecido.

O segundo foi Pequeno Couto. Não canso de elogiar o Coutinho, esse menino é uma jóia. Se não tivesse saído do Brasil tão cedo, com toda certeza o Vasco não teria deixado escapar os títulos do Brasileirão da Série B de 2014 e 2016.

E o terceiro veio dele, Paulinho, o artilheiro. Gol de centroavante, com oportunismo e senso de colocação, gol com a Cara de Paulinho.

Foi lindo te conhecer, Lujnikão!

Ihhhh, final da Copa qualquer dia tamo aí!

Adenor, obrigado mais uma vez por ensinar nossos jovens a ter coragem: puta aula de professoragem.

Que venha a Alemanha, menos que a vingança eu nem comemoro.