Umbabarauma, homem-gol: o nove do Hexa será Gabriel ou Roberto?

O Brasil (e o mundo) inteiro se pergunta e questiona neste momento quem será o nosso centroavante na Copa. Na Copa só, não. No Hexa.


Hexa é luxo, amigo. Eu escrevo essa palavra, hexa, H-E-X-A e já fico emocionado, me abrace e chorem comigo.


Roberto Firmino e Gabriel Jesus teoricamente ainda disputam essa vaga, pois Gabriel, com Tite, vem de uma sequência consistente, com gols importantes, o menino se firmou mesmo. Já Firmino, que correu por fora o tempo inteiro, agora, há menos de dois meses para o início da Copa, se credenciou pela brilhante temporada que vem fazendo com a camisa do Liverpool.


Uma missão complicada para o professor Adenor, uma vez que, em qualquer dos dois que recaia a titularidade, as críticas virão pesadas. Ambas as correntes, gabrieljesuítas e firminitas, têm fortes argumentos para preferirem um em detrimento do outro. Lembrando que o principal argumento, o mais poderoso, dogmático, inflexível é sempre o clubismo. Que Deus proteja o clubismo.


Luiz Felipe da Cruz Ilustrações
Luiz Felipe da Cruz Ilustrações

Pouca mídia, exacerbado futebol


Gabriel não é um centroavantão, um camisa 9 de ofício, trombador nato, mas, desde que se firmou no Palmeiras, usando a camisa 33, ele assumiu a posição e gols não faltaram. No Palmeiras, no Manchester City, na Seleção Brasileira, por onde passa o menino Jesus joga com a mesma desenvoltura dos tempos das botinadas no Jardim Peri, na periferia de São Paulo. Camisa nenhuma parece lhe pesar sobre os ombros.


[pausa para mais uma digressão: só agora, escrevendo este texto é que me toquei que Gabriel Jesus usa a 33, número místico, quiçá cabalístico, que comporta tantos significados: idade de Cristo, Grau Máximo da Maçonaria no Rito Escocês Antigo e Aceito, dentre outras coisas. 33 são as voltas sequenciais que formam o DNA. Minha cabeça explodiu. Fecha digressão]


É certo que Gabriel passou por algumas lesões e chegou a amagar um banco no time de Guardiola que venceu a Premier League, mas no final da temporada voltou a ser relacionado entre os titulares e a marcar gols mesmo depois do City garantir o título.


Por seu turno, ao lado de Salah e Mané, Firmino é um dos principais destaques da temporada não apenas no time do Liverpool, mas na Europa como um todo. Atualmente não há um trio jogando o que esses três vêm jogando no Liverpool. (Talvez o maior trio depois aquele Conca-Deco-Fred no Fluminense de 2010.) Os Reds que never ‘walkam**’ alone ainda podem coroar de vez a temporada vencendo a final da Champinha contra o Real Madrid no dia 26 de maio em Kiev, na Ucrânia.


Se esse time do Liverpool não sentiu absolutamente em nada a saída de Coutinho para o Barcelona (pelo contrário, ficou até melhor), a culpa é em grande parte desse menino de dentes brancos chamado Roberto Firmino.


Luiz Felipe da Cruz Ilustrações
Luiz Felipe da Cruz Ilustrações

Alô, mãe!


Eu acredito que, se tudo der certo, Adenor vai começar o mundial com Coutinho, Neymar e Jesus, mas Firmino vai ser aquela espécie de 12º titular, sempre requisitado e que pode, a depender do desempenho do titular no início da Copa, virar ele mesmo o titular a qualquer momento. É esperar para ver.


Históricamente, nos elencos de Copa do Mundo, nós temos o time titular, com 11 caras de confiança do treinador. Dos outos 12 ou 13 restantes, há aquele que nunca vai jogar, o famoso 3º goleiro. Em aviação, o 3º goleiro seria conhecido como redundância, está ali para prevenir caso dê alguma merda, mas na verdade ninguém quer usá-lo de verdade. Todos os outros têm chances de atuar, mas há sempre 2 ou 3 que entram quase todo jogo. Foi assim, por exemplo com Viola em 1994 e Denílson em 2002.


Ou seja, em qualquer das hipóteses, um deles vai para o jogo desde o início e o outro vai acabar entrando em quase todas as partidas no decorrer do jogo, isso me parece claro.


Seja quem for, tenho fé que honrará a estirpe de Homem-Gol do Brasil, posto que já foi de Ronaldo, Romário, Jairzinho e Vavá, dentre outros: umbabaruma, homem-gol ♫


Agora pensa aí, Tite. Resolve essa parada. É pra isso que a gente paga seu salário.

** You’ll never walk alone (você nunca andará sozinho) é a canção composta por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II em 1945 e que virou marca registrada da torcida do Liverpool.