Faltam 7 jogos para a consagração final

O trio Neymar + Coutinho + Jesus é muito melhor que o trio Thompson + Durant + Curry e quase tão bom quanto o trio X-burger + refri + batata frita, não ousem negar essa verdade insofismável.


O futebol brasileiro, que em meados de 2014/2015, parecia um trânsfuga histórico, foi resgatado graças - em muito - ao futebol de altíssimo nível que jogam esses meninos.


Ney, Jesus e o Pequeno Couto jogam um futebol alegre e vistoso: reminiscências de um futebol arte, futebol moleque, futebol raiz, futebol no toco y me voy, futebol yo necesito.


Hoje, é certo que sofremos um pouco, sobretudo no início do jogo. Quiçá, um castigo merecido pelos locutores brasileiros estarem chamando o Franco Foda de Fôda. Não se pode brincar dessa maneira com as forças inescrutáveis das deidades superiores da zoeira.


Porém, passado esse primeiro momento de apavoro, recuperamos a autoestima e o Brasil abriu o placar com um tapa de Gabriel Jesus.


Um chute de longe do Marcelo, que a bola já sai da canhotinha do camisa 12 se perguntando "cadê meu camisa nove?". Ela procura mesmo, procura o matador, o umbabarauma, o homem gol.


Chegou no Jesus. Ele dominou, ajeitou, pressionou o R2 e desferiu o certeiro e mortífero tapa no cantinho, 1 a 0 para nós.


O primeiro tempo terminou assim. Tivemos até outras chances, mas ninguém mais balançou a roseira. Nosso time teve o mérito de se manter concentrado e jogando para vencer.


No início da segunda etapa, o time austríaco voltou pegando firme, descendo o bambu nos nossos craques. Um país inteiro teve um súbito travamento retrofuricular quando pegaram o dedinho do Neymar, ai Jesus!


Um dedinho de Neymar é para ser guardado e transportado em plástico bolha, sob a supervisão intransigente e minuciosa de um agente do FBI que, no mínimo, ostente um bigode como o do Ricardo Rocha em 1994, essa é que é a verdade.


Já na jogada seguinte pegaram o Coutinho. Aí, não. O que separa um amistoso comum de um clima de final de interclasses é a primeira voadora.


Nesse ponto, creio ter presenciado a primeira falha de Tite como treinador, pois o mínimo que eu esperava dele era ter colocado o Fagner em campo para quebrar esses austríaco arrombados.


Sem falar que Adenor parece não ter orientado Cássio e Ederson a praticarem a função precípua, o múnus público do goleiro reserva que é espalhar o bolinho do empurra empurra ao chegar na voadora.


Mas nada melhor para baixar a bola do adversário do que colocá-lo em seu devido lugar: jogada de Wilian, bolão pro Neymar no comando de ataque, no mano a mano com um zagueiro. Se eu terminasse a narrativa aqui, todo mundo já saberia que foi gol, pois dizer que deixaram o Neymar no mano a mano é muito SPOILER.


E foi mesmo. Ney balançou, deu uma penteada na bola no melhor estilo futsal, deixou o jão no chão e bateu na saída do goleiro, que golaço!


Coutinho completou o placar recebendo na frente e tocando com extremada categoria na saída do goleirão: virou um agradável e alvissareiro passeio em cima do time que dia desses venceu a Alemanha, só não vê quem não quer.


Aliás, malandragem, a última vez que o Brasil venceu a Áustria por 3 a 0 foi exatamente na estreia da Copa de 1958, com dois gols de Mazzola e um de Nilton Santos.


Coincidência? Claro que não.


Nosso time está pronto, nosso camisa 10 está recuperado, nosso centroavante está confiante, lateral esquerdo é o melhor jogador do mundo e nosso treinador tem uma estrela maior que a VY Canis Majoris, a hipergigante vermelha, uma das maiores estrelas conhecidas.


Faltam só sete jogos para o Hexa.