O México vai nos atacar, e isso pode ser a chave para a vitória

Brasil x México marcará o segundo duelo na história entre os competentíssimos treinadores Tite e Juan Carlos ‘El Profe’ Osorio. O primeiro deles aconteceu no estádio do Morumbi, em pleno Dia dos Pais, em jogo válido pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2015. Foi um movimentado empate em 1 a 1 entre São Paulo e Corinthians, com direito a 3 bolas na trave de Cássio e defesas importantes de Rogério Ceni.


Instagram/@hexadiario
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Com características de jogo absolutamente distintas, ambos os comandantes mostram como é possível jogar bom futebol independentemente de filosofia ou premissas adotadas. Tite estrutura sua equipe de trás para frente, arruma a casinha, impõe seu jogo sobre o adversário, exerce o controle e corre o mínimo de risco possível. Um estilo mais pragmático e objetivo de ser que casou perfeitamente com os jogadores que tem hoje à sua disposição no Brasil. Uma vez que o adversário passe em branco e sofra com a organização defensiva que Thiago Silva, Miranda e Casemiro vêm executando magnificamente, será difícil a Seleção não marcar os seus com o talento de Neymar, Coutinho, Jesus, Willian, Firmino e Paulinho. Osorio, ao contrário, é um estrategista que se molda de acordo com o oponente e seus jogadores. Dificilmente repete uma escalação inicial, gosta de surpreender e atacar o adversário por suas fraquezas. Um estilo ousado que causou, por exemplo, um enorme estrago na Alemanha. Não fosse a derrota na estreia para o mexicanos, dificilmente os atuais campeões do mundo teriam se despedido tão cedo.


E é justamente em México 1x0 Alemanha que podemos tirar lições e prever o que Osorio planeja contra o já escalado Brasil. Assim como a Seleção Brasileira, a Alemanha também tinha a saída de bola pensa para um dos lados. Com a gente é pela esquerda com Marcelo ou Filipe Luís, com eles pela direita com Kimmich. Ao invés de tentar anular ou dificultar essa jogada, El Profe deu campo ao lateral alemão e permitiu seus avanços, deixando seu time pronto para que, assim que a bola fosse retomada, explorar suas costas. O gol da vitória, de Chucky Lozano, saiu numa jogada assim.


Com técnica, habilidade e qualidade no passe, o México tem um time que joga muito bem com a bola nos pés. Andrés Guardado e Héctor Herrera são meias que foram recuando ao longo da carreira e hoje são os volantes da equipe. Layún, Carlos Vela, Giovani dos Santos e Lozano são incendiários prontos para agir e dar trabalho. Todos também com a missão de servir Javier ‘Chicharito’ Hernández, maior artilheiro da história da seleção mexicana com 50 gols em 105 partidas. O time tricolor é o 3º mais experiente da Copa, com média de idade de 29,4 anos, e sete dos vinte e três jogadores atuais estiveram presentes na final dos Jogos Olímpicos de 2012, quando o Brasil foi derrotado pelo México por 2 a 1 em Wembley e adiou por quatro anos o sonho da inédita conquista da medalha de ouro. A imprensa por lá conta que os jogadores gostaram da chance de poder enfrentar o Brasil. Estão confiantes de que podem aprontar.


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O agora platinado Chicharito Hernández, maior artilheiro da história do México.


Será, portanto, o primeiro time que irá agredir e não só contra-atacar a Seleção. E, para falar a verdade, é aí que pode estar a chave para a vitória do Brasil. Finalmente, teremos a oportunidade de jogar com algum espaço. Não teremos Marcelo, ainda incomodado com dores na lombar, e apesar do camisa 12 ser o melhor lateral esquerdo do mundo, sua saída pode ser até benéfica para enfrentar os mexicanos. Filipe Luís oferece mais segurança defensiva e mostrou contra a Sérvia como está à vontade com a camisa amarela. Tite ainda dará pelo menos mais 45 minutos a Gabriel Jesus no comando de ataque, importantíssima partida para o nosso 9 enfim guardar uma bola na rede. Paulinho é outro que vem oscilando e tem presença garantida. Sua atuação será chave para que o Brasil exerça o controle do meio-campo, ajudando na construção de jogadas e oferecendo opção de passe desde lá de trás, e não só em suas tradicionais infiltrações que, claro, precisam continuar acontecendo. O México não é um time fisicamente privilegiado e a bola aérea também pode ser um atalho para a vitória brasileira.


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Thiago Silva novamente será o capitão do Brasil. O zagueiro pode aproveitar a baixa estatura dos mexicanos para marcar de novo?


O histórico das Copas joga a nosso favor. Em quatro encontros entre brasileiros e mexicanos em mundiais, temos um placar agregado mais do que favorável: 11 a 0 (4x0 em 1950, 5x0 em 1954, 2 a 0 em 1962, e 0x0 em 2014). O México vive ainda uma maldição nas oitavas de final, sendo eliminado justamente nesta fase nas últimas seis Copas do Mundo! O certo é que nenhuma dessas estatísticas entrará em campo nesta segunda-feira. Todos os jogos deste mata-mata que começou no sábado em solo russo mostraram que não existe jogo fácil. Não dá para esperar por moleza!


Como venho escrevendo nos últimos posts, o Brasil vem mostrando evolução jogo após jogo, caminhando de mãos dadas com a recuperação física de Neymar. Sinto que o camisa 10 fará sua verdadeira estreia na Copa do Mundo contra o México. E se o feeling estiver incorreto, ainda podemos contar com a fase espetacular de Philippe Coutinho, que pode se aproveitar das características mais ofensivas do meio-campo adversário. A ansiedade é grande… Que chegue logo às 11 horas!


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